Uma missão espacial com carga incomum — cinzas humanas e sementes de cannabis — acabou em desastre no dia 24 de junho. A cápsula Nyx, que orbitou a Terra após lançamento pela SpaceX, falhou durante a reentrada e afundou no Pacífico. O episódio representa não apenas uma perda técnica para a startup envolvida, mas também um golpe emocional para as famílias que confiaram seus entes queridos à jornada orbital.
Uma missão promissora que terminou mal
A missão batizada de Mission Possible, promovida pela empresa alemã The Exploration Company, prometia inovações. A bordo da cápsula Nyx estavam cerca de 300 kg de carga — incluindo os restos mortais de 166 pessoas, enviados pela empresa norte-americana Celestis, especializada em funerais espaciais. A cápsula foi lançada com sucesso no dia 23 de junho por um foguete Falcon 9, no âmbito da missão Transporter-14 da SpaceX.
A ideia era simples: enviar os restos ao espaço, orbitá-los por breve período e depois trazê-los de volta à Terra. No entanto, apesar do sucesso no lançamento e na reentrada controlada, os paraquedas não funcionaram. A cápsula caiu no oceano e os itens a bordo foram considerados irrecuperáveis.
Luto, frustração e mensagens de consolo
Em nota, a Celestis lamentou profundamente a perda, afirmando que entrará em contato com cada família afetada. “Compartilhamos da frustração de nossos clientes, mas esperamos que encontrem consolo ao saber que seus entes queridos orbitaram a Terra e agora descansam no Pacífico, como em uma tradicional cerimônia de dispersão no mar”, declarou a empresa.
Entre as cinzas, sementes de Marte
Além dos restos mortais, a cápsula Nyx levava um experimento singular: sementes e material vegetal de cannabis enviados pelo projeto Martian Grow. A iniciativa, conduzida por cientistas cidadãos, buscava estudar como a planta se comporta em microgravidade, com vistas a futuras missões a Marte. “A cannabis é complexa e resiliente, ideal para entender como formas de vida reagem a ambientes extremos”, afirma o site do projeto. Infelizmente, os materiais também foram perdidos no acidente.
Lições de um teste ambicioso
A missão Mission Possible era o segundo voo da The Exploration Company. O primeiro, Mission Bikini, lançado em 2024, não conseguiu liberar sua cápsula em órbita devido a falha no estágio superior do foguete. Desta vez, a empresa celebrou marcos importantes: funcionamento nominal em órbita, reestabelecimento de comunicações após blackout e estabilização da cápsula. Mas a falha nos momentos finais demonstrou que há muito a evoluir antes que o Nyx possa transportar astronautas.
Futuro incerto, mas com planos de retomada
Apesar do revés, a empresa afirma que pretende relançar o projeto. Em nota, prometeu utilizar os aprendizados da falha para melhorar seus sistemas e preparar uma nova tentativa “o mais rápido possível”. Mesmo assim, o episódio levanta dúvidas sobre a ambição de enviar a cápsula Nyx à Estação Espacial Internacional até 2028 — plano que ainda depende de apoio da Agência Espacial Europeia.
Enquanto isso, parte do trabalho poderá continuar em testes de solo com os sistemas da cápsula. Segundo a própria empresa, a missão foi considerada um “sucesso parcial”, e o foco agora é compreender as causas exatas da falha.
A queda da cápsula Nyx mostrou que, por mais promissoras que sejam as ideias de funerais espaciais ou experimentos marcianos, o espaço continua sendo um ambiente de riscos elevados — onde o simbolismo e a ciência podem, num piscar de olhos, se perder no fundo do mar.