Um novo levantamento nacional sobre a alfabetização infantil trouxe resultados que, à primeira vista, parecem positivos, mas que escondem uma realidade preocupante. Mesmo após avanços, a cidade de São Paulo ocupa apenas a 17ª colocação entre as capitais, e o Estado aparece em 13º lugar. Em um país onde o acesso à leitura básica define o futuro de milhões, o desempenho da maior metrópole do Brasil ainda está longe do ideal.
Capital paulista avança, mas continua atrás da média

A cidade de São Paulo registrou 48,25% de crianças de 7 anos alfabetizadas, conforme os dados do Ministério da Educação (MEC) divulgados nesta sexta-feira, 11 de julho. Embora o número represente uma melhora em relação a 2023, quando o índice era de apenas 37,9%, o município ainda está abaixo da média nacional, que é de 59,2%.
A capital paulista, mesmo sendo a mais rica do país, figura apenas na 17ª posição entre as 23 capitais avaliadas. Em comparação, cidades como Fortaleza, Vitória, Goiânia e Belo Horizonte lideram o ranking, com cerca de 70% de suas crianças já alfabetizadas. O levantamento não incluiu Florianópolis, Porto Alegre e Natal por não atingirem o nível mínimo de participação exigido.
Apesar dos números modestos, a Secretaria Municipal de Educação comemorou o desempenho. O secretário Fernando Padula, presente em Brasília no momento da divulgação, afirmou que a meta da capital foi superada e que o objetivo agora é intensificar o apoio às escolas com mais dificuldades. Ele destacou a importância de políticas focadas, como a introdução de materiais pedagógicos mais lúdicos, professores especializados em recuperação e critérios práticos para a seleção de educadores.
A meta de alfabetização para a capital em 2025 já está definida: 51,06%. O desafio é manter o ritmo de crescimento e garantir que mais alunos tenham acesso às habilidades básicas de leitura e escrita no tempo certo.
Estado de São Paulo fica em posição intermediária
O Estado como um todo também superou sua meta individual, mas ainda não conseguiu ultrapassar a média nacional. Com um índice de 58,13% de crianças alfabetizadas, São Paulo aparece em 13º lugar entre as 26 unidades da federação avaliadas. Roraima ficou de fora da contagem por problemas técnicos.
Na outra ponta do ranking, o destaque é o Ceará, o único Estado com mais de 80% de crianças alfabetizadas aos 7 anos. Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo e Paraná também se destacam com índices acima de 70%, puxando a média nacional para cima.
Segundo a Secretaria Estadual da Educação, os avanços foram possíveis graças ao programa Alfabetiza Juntos SP, que tem investimento previsto de R$ 300 milhões. A pasta destacou um crescimento de 6,22 pontos percentuais em relação a 2023 e o cumprimento da meta estipulada pelo MEC.
Panorama nacional e desafios no caminho
Essa foi a segunda edição do Indicador Criança Alfabetizada, criado pelo MEC para acompanhar anualmente o número de crianças que sabem ler e escrever. A coleta de dados ocorreu entre outubro e novembro de 2024 e envolveu cerca de dois milhões de alunos de escolas públicas do 2º ano do ensino fundamental, em mais de 42 mil instituições.
Apesar dos avanços pontuais, o Brasil como um todo não atingiu a meta nacional de 60% de crianças alfabetizadas. O índice ficou em 59,2%, com o Rio Grande do Sul influenciando negativamente os resultados em razão das enchentes que mantiveram escolas fechadas por longos períodos. No ano anterior, o índice era de 56%, o que ainda representa um crescimento, embora insuficiente.
O processo de avaliação é feito com base em exames estaduais padronizados pelo MEC, que incluem questões de múltipla escolha, itens de resposta construída e uma produção textual. A criança é considerada alfabetizada se atingir ao menos 743 pontos na avaliação.
Críticos do modelo destacam que, embora o sistema traga avanços na mensuração, ainda existem inconsistências devido à diversidade de provas aplicadas nos Estados. Essas variações podem comprometer a comparabilidade entre regiões.
Em meio aos números e percentuais, o que se destaca é a urgência de garantir que cada criança brasileira tenha acesso real à alfabetização. Mais do que subir em rankings, o desafio é assegurar que o direito básico de aprender a ler e escrever não continue sendo um privilégio limitado a determinadas regiões.
[Fonte: Estadão]