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Tecnologia

Ford voltou atrás em aposta na IA após descobrir um problema que a tecnologia não conseguiu resolver

Depois de investir pesado em inteligência artificial para aumentar a eficiência, a Ford mudou de estratégia. A decisão revela os limites da automação e o valor da experiência humana.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A inteligência artificial vem transformando diversos setores da indústria, prometendo acelerar processos, reduzir custos e elevar a qualidade dos produtos. Mas nem sempre a tecnologia entrega tudo o que promete. Uma das maiores montadoras do mundo acaba de reconhecer que sua aposta na automação foi além do ideal e decidiu resgatar um recurso que parecia cada vez menos valorizado: a experiência de profissionais veteranos.

A Ford reconheceu que a IA não resolveu todos os desafios

Ford voltou atrás em aposta na IA após descobrir um problema que a tecnologia não conseguiu resolver
© ThisisEngineering – Unsplash

A Ford admitiu que confiar excessivamente na inteligência artificial e em sistemas automatizados de controle de qualidade não trouxe os resultados esperados. Em vez de alcançar o nível de eficiência planejado, a empresa identificou falhas que passaram despercebidas pelos processos automatizados.

Como resposta, a montadora decidiu recontratar cerca de 350 engenheiros experientes, incluindo antigos funcionários que já haviam deixado a companhia. A informação foi divulgada pelo TechCrunch, com base em declarações dadas por executivos da empresa à Bloomberg.

Segundo Kumar Galhotra, diretor de operações da Ford, os sistemas automáticos de inspeção não conseguiram detectar defeitos com a precisão necessária. Por isso, a empresa optou por trazer de volta especialistas capazes de identificar problemas nas peças antes mesmo que elas cheguem às linhas de montagem.

A medida representa uma mudança importante na estratégia da fabricante, que vinha ampliando o uso de inteligência artificial em diferentes etapas do desenvolvimento e da produção de veículos.

A experiência voltou a ocupar um papel central

O retorno desses profissionais não significa que a Ford pretende abandonar seus projetos envolvendo inteligência artificial. Pelo contrário, a empresa busca integrar melhor a tecnologia ao conhecimento acumulado por décadas de atuação na indústria.

Charles Poon, vice-presidente de engenharia de hardware automotivo da montadora, reconheceu que a companhia adotou uma visão excessivamente otimista sobre as capacidades da IA.

Segundo o executivo, a Ford acreditava que bastava alimentar os sistemas com requisitos de engenharia para obter automaticamente produtos de alta qualidade. Na prática, porém, essa expectativa não se confirmou.

Os engenheiros mais experientes, conhecidos internamente como gray beards (“barbas grisalhas”), passam agora a desempenhar uma dupla função. Além de atuar diretamente na identificação de defeitos, eles também serão responsáveis por orientar profissionais mais jovens e ajudar a aperfeiçoar os modelos de inteligência artificial utilizados pela empresa.

A ideia é fazer com que a tecnologia aprenda com situações reais observadas por especialistas, tornando os sistemas mais eficientes ao longo do tempo.

A nova estratégia já começa a apresentar resultados

A mudança de rumo também possui um forte componente financeiro. De acordo com estimativas da própria Ford, o reforço no controle de qualidade poderá gerar uma economia de aproximadamente US$ 1 bilhão ainda neste ano.

Grande parte dessa redução de custos deverá vir da diminuição de despesas com reparos, campanhas de garantia e correções de defeitos identificados após a entrega dos veículos aos consumidores.

Os primeiros indicadores parecem reforçar essa estratégia. Nesta semana, a Ford conquistou uma posição de destaque entre as principais montadoras no levantamento JD Power Initial Quality Survey, um dos estudos mais respeitados da indústria automotiva para medir a qualidade inicial dos veículos.

O resultado sugere que combinar inteligência artificial com a experiência humana pode produzir resultados mais consistentes do que depender exclusivamente da automação. Em vez de substituir completamente os especialistas, a Ford passou a tratar a IA como uma ferramenta de apoio, capaz de potencializar — e não substituir — o conhecimento acumulado por seus engenheiros.

[Fonte: zamin]

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