Nos últimos anos, a inteligência artificial foi apresentada como o motor da próxima revolução tecnológica, conquistando espaço em diferentes setores da economia. Desde o lançamento do ChatGPT, em 2022, a expectativa de que a IA se tornaria onipresente ganhou força. Porém, um novo levantamento mostra que o entusiasmo corporativo pode estar diminuindo.
A pesquisa que expôs a desaceleração
De acordo com a pesquisa Business Trends and Outlook Survey (BTOS), conduzida a cada duas semanas pela Oficina do Censo, as grandes companhias — aquelas com mais de 250 funcionários — estão reduzindo o ritmo de adoção da IA. Entre junho e setembro de 2025, o índice caiu de 14% para 12%.
Esse número representa a maior queda desde que a pesquisa começou, em 2023. O levantamento abrange cerca de 1,2 milhão de empresas norte-americanas e analisa o uso de ferramentas como aprendizado de máquina e agentes inteligentes. Curiosamente, enquanto as grandes corporações recuam, as empresas menores apresentaram leve crescimento no uso de IA.
Um contraste com anos de expansão
Nos últimos dois anos, a curva foi de aceleração. Em setembro de 2023, apenas 3,7% das companhias declaravam utilizar IA. Esse número subiu para 5,7% em dezembro de 2024 e, no segundo trimestre de 2025, alcançou 9,2%. A queda atual rompe, portanto, uma trajetória de alta constante.
Especialistas apontam que parte da retração pode estar ligada a uma pesquisa recente do MIT, que constatou que muitos programas-piloto de IA em grandes empresas não apresentaram ganhos significativos. Esse dado reforça a percepção de que a tecnologia ainda não encontrou um papel claro em todos os ambientes corporativos.
IA: revolução ou moda passageira?
Os resultados geram um debate relevante: a inteligência artificial é realmente uma ferramenta essencial para os negócios ou apenas uma tendência superestimada? Para alguns analistas, os números podem sinalizar que a adoção acelerada foi movida mais pela pressão de acompanhar o hype do que por benefícios concretos.
Enquanto startups e empresas menores testam aplicações mais ágeis e específicas, gigantes corporativos parecem enfrentar dificuldades em transformar projetos-piloto em ganhos reais de produtividade. Essa diferença pode indicar que o mercado ainda está em fase de experimentação e que nem todas as áreas de atuação encontram utilidade prática imediata para a IA.
O futuro ainda em aberto
Apesar da desaceleração, é cedo para decretar o fim da ascensão da IA nas empresas. O setor continua a receber grandes investimentos e pesquisas apontam para melhorias constantes em eficiência e usabilidade. No entanto, o relatório sugere que a integração da IA aos processos corporativos será mais lenta e complexa do que se previa inicialmente.
O que parece claro é que, ao contrário do discurso de “força imparável” defendido por muitos entusiastas, a inteligência artificial enfrenta barreiras práticas e econômicas que podem limitar sua expansão. A questão que permanece é se a tecnologia conseguirá se consolidar como uma peça vital da engrenagem corporativa ou se será lembrada como mais uma bolha tecnológica.
Fonte: Gizmodo ES