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Ciência

Gripe e Covid-19 podem acordar células cancerígenas, aponta estudo

Pesquisadores norte-americanos descobriram que infecções comuns, como gripe e Covid-19, podem reativar células cancerígenas que estavam dormentes. A descoberta levanta dúvidas sobre a segurança de pacientes em remissão e aponta caminhos para novas abordagens preventivas. Veja o que a ciência já sabe — e o que ainda falta entender.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Apesar dos avanços no tratamento do câncer, a possibilidade de recidiva ainda é um grande desafio para médicos e pacientes. Um novo estudo publicado na prestigiada revista Nature sugere que infecções virais respiratórias podem ser um gatilho importante na reativação de células malignas. A pesquisa, feita com camundongos, traz pistas valiosas para entender por que tumores como o de mama podem voltar mesmo anos após o tratamento.

Como infecções podem “acordar” o câncer

O estudo foi conduzido por cientistas da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, e observou o comportamento de células humanas de câncer de mama implantadas em camundongos. Essas células estavam em estado dormente — ou seja, sem atividade — até que os animais foram expostos a vírus respiratórios como o da gripe (influenza) e o da Covid-19 (Sars-CoV-2).

Após a infecção, os pesquisadores notaram que as células malignas se reativaram e voltaram a se multiplicar rapidamente. A resposta inflamatória provocada pelos vírus parece ser a responsável pelo “despertar” das células, e não o vírus em si. Moléculas como interleucinas e interferons, liberadas pelo sistema imunológico, criam um ambiente favorável para a retomada do crescimento tumoral.

Entendendo a recidiva do câncer de mama

Essa descoberta ajuda a explicar por que o câncer de mama pode reaparecer mesmo anos após o fim do tratamento. Células dormentes costumam resistir à quimioterapia, que age principalmente nas células ativas. Quando o organismo sofre uma infecção, ele involuntariamente oferece as condições ideais para que essas células adormecidas voltem a crescer.

O biólogo James DeGregori, um dos autores do estudo, afirma que os dados são “dramáticos” e apontam uma nova linha de pesquisa para entender melhor os mecanismos por trás das recaídas.

Cancer
© Tara Winstead – Pexels

O que isso muda na prática?

Apesar de ainda estar em fase inicial e ter sido testada apenas em animais, a pesquisa pode, no futuro, influenciar novas abordagens clínicas. Uma possibilidade é o desenvolvimento de medicamentos que inibam os sinais inflamatórios associados à reativação tumoral.

Também se discute se vacinas contra vírus respiratórios, como a da gripe e da Covid-19, poderiam ajudar a proteger pacientes que já passaram por um câncer. Ainda é cedo para mudanças nos protocolos médicos, mas o estudo reforça a importância de acompanhar de perto pacientes em remissão, especialmente os com histórico de metástases pulmonares.

Um novo alerta para quem já teve câncer

Para pacientes que venceram o câncer, a pesquisa traz um alerta importante. O retorno da doença pode estar ligado a fatores externos, como infecções aparentemente inofensivas. A ciência ainda busca entender como impedir que essas células adormecidas voltem à ativa, mas o estudo reforça a complexidade do câncer e a necessidade de cuidados contínuos mesmo após a cura aparente.

Fonte: Metrópoles

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