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Ciência

Grupo sanguíneo inédito é descoberto e desafia medicina

Pesquisadores franceses confirmaram a existência de um grupo sanguíneo até então desconhecido, encontrado em uma mulher de mais de 60 anos, nascida na ilha caribenha de Guadalupe. O achado surpreende especialistas e abre caminho para novas pesquisas sobre mutações genéticas raríssimas.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Um simples exame de rotina transformou a vida de uma mulher francesa e mexeu com a comunidade científica mundial. Mais de uma década depois da primeira suspeita, cientistas anunciaram a descoberta de um novo tipo sanguíneo, batizado de “Gwada negativo”. Raríssimo, ele é tão singular que, até o momento, só existe uma pessoa compatível no planeta.

Um mistério que começou em 2011

Tudo começou em Paris, em 2011, quando a paciente, natural de Guadalupe, passava por exames pré-operatórios. Durante as análises, os médicos identificaram um anticorpo incomum, que não correspondia a nenhum grupo sanguíneo catalogado. Na época, a tecnologia não era suficiente para detalhar a origem desse fator desconhecido.

Segundo Thierry Peyrard, farmacêutico e biólogo médico do Instituto Francês de Sangue (EFS), só a partir de 2019 foi possível avançar na investigação, graças ao sequenciamento de DNA de última geração, muito mais rápido e preciso.

O que torna o “Gwada negativo” tão raro

O novo grupo sanguíneo foi oficialmente reconhecido em junho de 2025, durante um congresso da Sociedade Internacional de Transfusão de Sangue (ISBT), realizado em Milão. O nome “Gwada” faz referência à ilha de origem da mulher, Guadalupe, e foi escolhido por soar bem em diferentes línguas.

De acordo com o EFS, o “Gwada negativo” só se manifesta quando a pessoa herda duas cópias de uma mutação genética específica — uma de cada pai. No caso da paciente, seus pais e irmãos carregam apenas uma cópia, o que os torna portadores, mas não expressam o tipo sanguíneo.

Com isso, ela se tornou a única pessoa no mundo compatível consigo mesma em transfusões, o que exige um protocolo médico extremamente rigoroso para qualquer intervenção cirúrgica ou tratamento que envolva sangue.

Sangue Raro (2)
© 89Stocker

Próximos passos da pesquisa

Diante dessa descoberta rara, os cientistas franceses desenvolvem agora um protocolo de triagem para buscar possíveis casos semelhantes. O foco inicial é a população de Guadalupe, onde podem existir outros portadores do gene mutado ainda não identificados.

Além disso, a descoberta reforça a importância de investir em bancos de sangue diversificados e em pesquisas genéticas, já que tipos sanguíneos raros podem significar riscos elevados para pacientes que necessitam de transfusões seguras.

Um avanço que desafia a medicina

O caso da paciente de Guadalupe mostra como mutações raríssimas podem passar despercebidas por anos e revela o impacto de tecnologias avançadas na medicina transfusional. Para a ciência, cada nova variante sanguínea é um alerta para melhorar protocolos e salvar vidas, especialmente quando se trata de condições únicas como o “Gwada negativo”.

Fonte: Metrópoles

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