Um simples exame de rotina transformou a vida de uma mulher francesa e mexeu com a comunidade científica mundial. Mais de uma década depois da primeira suspeita, cientistas anunciaram a descoberta de um novo tipo sanguíneo, batizado de “Gwada negativo”. Raríssimo, ele é tão singular que, até o momento, só existe uma pessoa compatível no planeta.
Um mistério que começou em 2011
Tudo começou em Paris, em 2011, quando a paciente, natural de Guadalupe, passava por exames pré-operatórios. Durante as análises, os médicos identificaram um anticorpo incomum, que não correspondia a nenhum grupo sanguíneo catalogado. Na época, a tecnologia não era suficiente para detalhar a origem desse fator desconhecido.
Segundo Thierry Peyrard, farmacêutico e biólogo médico do Instituto Francês de Sangue (EFS), só a partir de 2019 foi possível avançar na investigação, graças ao sequenciamento de DNA de última geração, muito mais rápido e preciso.
O que torna o “Gwada negativo” tão raro
O novo grupo sanguíneo foi oficialmente reconhecido em junho de 2025, durante um congresso da Sociedade Internacional de Transfusão de Sangue (ISBT), realizado em Milão. O nome “Gwada” faz referência à ilha de origem da mulher, Guadalupe, e foi escolhido por soar bem em diferentes línguas.
De acordo com o EFS, o “Gwada negativo” só se manifesta quando a pessoa herda duas cópias de uma mutação genética específica — uma de cada pai. No caso da paciente, seus pais e irmãos carregam apenas uma cópia, o que os torna portadores, mas não expressam o tipo sanguíneo.
Com isso, ela se tornou a única pessoa no mundo compatível consigo mesma em transfusões, o que exige um protocolo médico extremamente rigoroso para qualquer intervenção cirúrgica ou tratamento que envolva sangue.

Próximos passos da pesquisa
Diante dessa descoberta rara, os cientistas franceses desenvolvem agora um protocolo de triagem para buscar possíveis casos semelhantes. O foco inicial é a população de Guadalupe, onde podem existir outros portadores do gene mutado ainda não identificados.
Além disso, a descoberta reforça a importância de investir em bancos de sangue diversificados e em pesquisas genéticas, já que tipos sanguíneos raros podem significar riscos elevados para pacientes que necessitam de transfusões seguras.
Um avanço que desafia a medicina
O caso da paciente de Guadalupe mostra como mutações raríssimas podem passar despercebidas por anos e revela o impacto de tecnologias avançadas na medicina transfusional. Para a ciência, cada nova variante sanguínea é um alerta para melhorar protocolos e salvar vidas, especialmente quando se trata de condições únicas como o “Gwada negativo”.
Fonte: Metrópoles