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Ciência

Hábitos que reduzem o risco de infarto: o que realmente protege o coração, segundo especialistas

Dormir melhor, manter o peso sob controle, praticar atividade física e fazer exames de rotina podem parecer medidas simples — mas têm impacto direto na saúde cardiovascular. Com um infarto ocorrendo a cada 40 segundos no mundo, médicos explicam como mudanças consistentes no estilo de vida ajudam a reduzir riscos e fortalecem o coração ao longo do tempo.
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Tempo de leitura: 4 minutos

 As doenças cardiovasculares seguem entre as principais causas de morte globalmente, e o infarto do miocárdio é um dos protagonistas dessa estatística. Embora não exista risco zero, especialistas da Cleveland Clinic afirmam que a maior parte dos fatores que levam a um evento cardíaco pode ser atenuada com hábitos cotidianos. Alimentação, movimento, sono, controle do estresse e acompanhamento médico formam a base de uma prevenção duradoura — e começam com pequenas decisões diárias.

Peso saudável e alimentação como primeira linha de defesa

Alimentacao
© X – @CatracaLivre

Manter um peso adequado é uma das recomendações iniciais para proteger o coração. O índice de massa corporal ajuda a identificar sobrepeso e obesidade, condições associadas ao aumento do risco cardiovascular. A gordura abdominal, em especial, costuma indicar maior acúmulo de placas nas artérias, o que favorece obstruções e pode culminar em um infarto.

O cardiologista Luke Laffin, da Cleveland Clinic, destaca que perder até mesmo alguns quilos já traz benefícios mensuráveis. A redução do peso corporal melhora rapidamente a pressão arterial, o colesterol e a função do sistema cardiovascular.

No campo da alimentação, o padrão mais indicado é a dieta mediterrânea. Em vez de ultraprocessados ricos em gordura saturada, açúcar e sódio, esse modelo prioriza frutas, verduras, legumes, grãos integrais e gorduras consideradas saudáveis, como as do peixe, das sementes e das oleaginosas.

Segundo Laffin, esse estilo alimentar contribui para equilibrar o colesterol e a pressão, além de diminuir o risco de acidente vascular cerebral e infarto. Décadas de pesquisas sustentam esses efeitos. Já o consumo frequente de frituras e fast food favorece o acúmulo de placas nas artérias, aumentando a chance de problemas cardíacos graves.

Exercício regular, exames e abandono do tabaco

Fumar Tabaco
© lilartsy – Unsplash

A prática de atividade física é outro pilar da prevenção. A Associação Americana do Coração recomenda pelo menos 150 minutos semanais de exercício moderado ou 75 minutos de atividade intensa. Exercitar-se de duas a cinco vezes por semana fortalece o músculo cardíaco, mantém as artérias mais flexíveis e ajuda no controle do peso.

O movimento também reduz a pressão arterial e melhora os níveis de colesterol — três fatores diretamente ligados ao risco de infarto.

Os exames de rotina permitem identificar alterações antes que elas se tornem emergências. A pressão arterial deve ser medida ao menos uma vez por ano, mesmo em pessoas aparentemente saudáveis. O colesterol costuma ser avaliado a cada quatro a seis anos, com maior frequência quando há fatores de risco. A glicemia também é essencial, já que o diabetes pode dobrar a probabilidade de doenças cardíacas. A Associação Americana de Diabetes recomenda iniciar esses controles a partir dos 35 anos, ou antes em grupos de maior risco.

O acompanhamento de condições crônicas faz diferença. Cerca de um em cada três adultos tem hipertensão, quase 40% da população mundial apresenta colesterol elevado, e aproximadamente 10% vive com diabetes. Para Laffin, combinar mudanças de estilo de vida com tratamento médico — incluindo medicamentos quando necessário — é fundamental.

Parar de fumar é uma das medidas mais eficazes para proteger o coração. A fumaça do cigarro contém mais de 7 mil substâncias tóxicas que favorecem o endurecimento das artérias. Quando uma placa bloqueia o fluxo de sangue para o coração, o risco de infarto sobe drasticamente. O especialista ressalta que buscar ajuda profissional aumenta as chances de sucesso, e alerta que o vape também eleva o risco cardiovascular.

Estresse, sono e fatores que não podem ser mudados

A moderação no consumo de álcool também entra na lista. Três ou mais doses em uma única noite podem elevar a pressão arterial no dia seguinte e, se isso se repete, o risco cardíaco aumenta. A orientação geral é limitar a ingestão a até duas bebidas por dia para homens e uma para mulheres.

O estresse crônico afeta diretamente as artérias, favorece a formação de placas e contribui para a hipertensão. Estratégias como meditação, atividade física e apoio psicológico ajudam a reduzir esse impacto.

Dormir bem é outro componente decisivo. Estudos citados pela Cleveland Clinic indicam que pessoas com insônia têm até 70% mais chances de sofrer um infarto. Para adultos, a recomendação é dormir entre sete e nove horas por noite. Manter horários regulares e diminuir o uso de telas antes de deitar melhora a qualidade do descanso.

Há fatores que não podem ser alterados, como genética, histórico familiar e envelhecimento. Mesmo com hábitos exemplares, sempre existe um risco residual. Ainda assim, atuar sobre aquilo que é modificável continua sendo a melhor estratégia para preservar a saúde a longo prazo.

Como resume Luke Laffin, adotar medidas preventivas por meio do estilo de vida e do controle dos fatores de risco é essencial para reduzir a incidência de infartos. Pequenas escolhas repetidas ao longo dos anos podem fazer uma grande diferença no futuro do coração.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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