Nos últimos meses, a crise na Ucrânia tem sido um dos maiores desafios diplomáticos na Europa. O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, aproveitou sua participação em um programa de rádio público para cobrar uma postura mais proativa da União Europeia na mediação do conflito. Segundo ele, a UE precisa agir rápido para não perder o controle sobre o rumo das negociações.
Orbán cobra reunião urgente com Putin
Orbán sugeriu que o presidente francês e a chanceler alemã viajem a Moscou para se encontrarem com o presidente russo Vladimir Putin, ou que essa reunião aconteça em um local neutro. Ele ressaltou que essa conversa deve ocorrer com urgência, antes do encontro marcado entre Putin e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O líder húngaro alertou que a Europa não pode se limitar a observar os desdobramentos do conflito de longe, como um espectador passivo. Para ele, a diplomacia deve ser o caminho principal, e não a continuidade das ações militares.
Diplomacia versus conflito armado
Orbán enfatizou que negociar é essencial para o futuro da Europa. “Se queremos controlar nosso próprio destino, não podemos ficar em casa gritando como crianças. Precisamos sentar à mesa para negociar, não continuar lutando no campo de batalha”, declarou.
Ele lembrou que, durante a presidência húngara da UE, seu governo manteve contatos diretos com Moscou, embora tenha omitido que muitos Estados-membros rejeitaram essas iniciativas por não concordarem com a posição oficial da União Europeia sobre a guerra.
Brussels exploits every crisis to strip competences from member states. War is now their primary tool for centralising power. We reject their empire-building, we reject their scheming for a United States of Europe. ❌ Only a Europe of sovereign nations can be truly strong and… pic.twitter.com/UC3JfXyD7R
— Orbán Viktor (@PM_ViktorOrban) August 7, 2025
Movimento dos EUA na geopolítica
A pressão de Orbán surge em meio ao anúncio de Donald Trump, que confirmou encontros presenciais com Putin e o presidente ucraniano. Trump chegou a sugerir uma reunião trilateral, sem a participação da União Europeia. Ainda assim, ele conversou por telefone com líderes europeus para apresentar sua proposta, que, segundo fontes europeias, foi recebida com certa abertura.
Além disso, Trump estabeleceu um ultimato à Rússia: iniciar negociações reais de paz na Ucrânia ou enfrentar um endurecimento “sem precedentes” nas sanções econômicas. O prazo inicial dado à Rússia era de 50 dias, mas foi reduzido para apenas 12, expirando nesta data.
Essa movimentação revela uma disputa de protagonismo entre a União Europeia e os Estados Unidos, com a Hungria defendendo uma postura mais ativa do bloco europeu antes que outros países tomem a frente nas negociações.