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Tecnologia

IA deve eliminar 92 milhões de empregos — mas criar outros 170 milhões: como será o novo mapa do trabalho e quais funções estão a ponto de desaparecer

Um relatório recente indica que a inteligência artificial pode extinguir 92 milhões de empregos até 2030, ao mesmo tempo em que criará mais de 170 milhões de novos postos. Segundo especialistas, o risco não está na tecnologia em si, mas na capacidade de adaptação: quem aprender a usá-la terá vantagem no novo mercado.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A expansão acelerada da inteligência artificial reacendeu uma dúvida que atravessa departamentos, setores e profissões: quais trabalhos vão desaparecer e quais serão reinventados? Para entender esse cenário, especialistas em cibersegurança e novas tecnologias destacam que a pergunta central não é “a IA vai substituir meu emprego?”, mas “estou me preparando para trabalhar com ela?”. A transformação já está em curso — e promete remodelar profundamente a economia global.

Os números que redefinem o futuro do trabalho

Tsunami De Robôs
© Xu Haiwei – Unsplash

De acordo com estimativas do Fórum Econômico Mundial, até 92 milhões de empregos podem desaparecer nesta década. O dado mais sensível, segundo o especialista em tecnologia Lucas Moyano, é que 41% das empresas planejam reduzir equipes até 2030 porque a IA executa tarefas de forma mais eficiente.

Mas o impacto não é apenas destrutivo. A mesma projeção indica que mais de 170 milhões de novos empregos serão criados, representando um saldo positivo global de cerca de 78 milhões de vagas. O fenômeno não é substituição direta, e sim reorganização: funções rotineiras deixam de existir, enquanto outras surgem para operar, supervisionar e aprimorar sistemas inteligentes.

O que realmente está em risco: tarefas, não profissões

Para Moyano, a IA não elimina carreiras inteiras, mas atividades específicas — especialmente as que seguem padrões repetitivos e previsíveis. Entre elas:

  • registro, organização e arquivamento de dados

  • classificação de documentos

  • agendamento, turnos e rotinas administrativas

  • processos padronizados de escritório

“A IA chegou para otimizar aquilo que é cansativo, repetitivo”, afirma o especialista. No direito trabalhista argentino, Moyano observa uma mudança importante: a falta de adaptação a uma nova ferramenta tecnológica não constitui motivo para demissão com justa causa. Empresas têm obrigação de treinar o funcionário e conceder tempo para a atualização.

O novo perfil profissional: operador avançado de IA

Enquanto algumas funções desaparecem, outras se tornam essenciais. Para Moyano, a vantagem competitiva estará na capacidade de incorporar IA ao trabalho cotidiano. Não é preciso ser programador: a habilidade crucial será aprender a “dialogar” com sistemas generativos e direcionar suas saídas.

“A chave é migrar de executor para diretor de processos automatizados”, explica.

Esse profissional atua como:

  • Diretor: a IA gera rascunhos e dados; a pessoa faz a curadoria.

  • Estrategista: interpreta informações e toma decisões.

  • Especialista em empatia: lidera equipes e gere conflitos, algo que máquinas não fazem.

  • Aprendiz contínuo: atualiza-se constantemente.

Os benefícios são tangíveis: estudos indicam que trabalhadores que dominam ferramentas de IA podem ganhar até 56% a mais. Além disso, 71% dos líderes empresariais preferem candidatos com competências em IA, mesmo com menos experiência.

Cobotização: humanos e máquinas no mesmo time

A convivência entre trabalhadores e sistemas inteligentes já tem nome: cobotização. O conceito descreve a colaboração entre humanos e “cobôs”, algoritmos que executam parte das tarefas, enquanto pessoas assumem funções criativas, estratégicas e relacionais.

Para Moyano, esse é o novo normal:
“O paradigma agora é trabalhar com a IA, não contra ela.”

O que o Estado e as empresas precisam fazer

A adaptação não pode recair apenas sobre o trabalhador. Segundo o especialista, a transição exige políticas públicas e responsabilidade corporativa:

  1. Atualização das leis trabalhistas diante da automação.

  2. Obrigação de capacitação prévia antes de qualquer avaliação de desligamento.

  3. Normativas setoriais que acompanhem a reconversão tecnológica em cada indústria.

Sem essas medidas, afirma Moyano, a desigualdade entre trabalhadores preparados e não preparados vai se aprofundar.

O desafio e a oportunidade de uma nova era

Call Centers Robos
© Pixabay – Geralt

Moyano reconhece a ansiedade que acompanha esse momento. Mas insiste: a paralisia é o maior risco.
“Ficar parado é o único caminho seguro para não se integrar às novas exigências do mercado”, afirma.

A mensagem final sintetiza a mudança cultural necessária:
“A IA não vem tirar seu trabalho. Ela vem desafiar você a se tornar sua melhor versão profissional.”

A revolução já começou. A diferença estará entre quem teme a tecnologia e quem decide transformá-la em aliada — e, com isso, criar novas oportunidades em um mundo laboral que não voltará a ser o mesmo.

 

[ Fonte: TN ]

 

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