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Ciência

Idosos voltam a enxergar com novo implante de retina de alta tecnologia

Uma inovação médica está fazendo o impensável: devolver a visão a idosos que antes só viam sombras. Um novo implante de retina, aliado a óculos de alta definição, permitiu que pacientes com degeneração macular voltassem a ler e reconhecer rostos — algo considerado impossível até poucos anos atrás.
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Tempo de leitura: 2 minutos

O dispositivo, chamado PRIMA, foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Stanford (EUA) e testado em 32 idosos com degeneração macular relacionada à idade (DMRI), doença que destrói as células da retina responsáveis pela visão central. Publicado na The New England Journal of Medicine, o estudo revelou resultados impressionantes: 27 participantes conseguiram voltar a ler e reconhecer formas após um ano de uso.

A DMRI é uma das principais causas de cegueira no mundo e, até agora, os tratamentos apenas retardavam seu avanço. O PRIMA muda esse cenário. Ele combina um chip minúsculo implantado no fundo do olho (de 2 x 2 milímetros, movido por energia solar) com óculos equipados com câmera e projeção infravermelha, que transformam imagens em sinais elétricos interpretados pela retina.

“Achei que meus olhos estavam mortos”

Idosos voltam a enxergar com novo implante de retina de alta tecnologia
© https://x.com/elmundosalud

Usando luz infravermelha — invisível ao olho humano —, o sistema não interfere na visão periférica. “Os pacientes podem usar a visão protética e a periférica ao mesmo tempo”, explicou o físico Daniel Palanker, líder do projeto, à New Scientist.

O impacto foi tão grande que um dos participantes relatou: “Achei que meus olhos estavam mortos, e agora estão vivos novamente”, contou o pesquisador José-Alain Sahel, da Universidade de Pittsburgh. Os pacientes passaram a enxergar, em média, cinco linhas a mais em testes de acuidade visual, o que representa um avanço expressivo para quem antes só percebia vultos.

Apesar de alguns efeitos colaterais temporários, como pressão ocular elevada, os especialistas destacam que os benefícios superam os riscos. Para a oftalmologista Francesca Cordeiro, do Imperial College London, “este é um estudo empolgante e significativo — ele traz esperança real para quem antes só podia contar com a progressão da cegueira”.

O futuro da visão artificial

Por enquanto, o PRIMA restaura a visão apenas em preto e branco. Mas a equipe já trabalha em uma atualização de software para melhorar o contraste e o reconhecimento facial, além de novas versões do chip com pixels menores, capazes de alcançar nitidez próxima à visão 20/20 com o auxílio de zoom eletrônico.

A promessa é clara: estamos entrando em uma era em que a visão biônica deixa de ser ficção científica para se tornar realidade — e devolver aos idosos o que mais sentiam falta: a capacidade de ver o mundo com seus próprios olhos.

[Fonte: Revista Galileu]

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