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Ciência

Iniciativa surpreendente transforma despedidas em homenagens eternas fora da Terra

Projeto idealizado por argentino propõe uma nova forma de preservar memórias humanas e culturais: arquivos digitais e cinzas de entes queridos agora orbitam o planeta por séculos
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Tempo de leitura: 3 minutos

Enviar memórias, homenagens e até os restos mortais de quem partiu para o espaço já não é mais uma fantasia. O argentino Federico Brito transformou esse desejo em realidade com a criação de uma empresa pioneira na América Latina. Unindo ciência, emoção e tecnologia, ele idealizou um serviço que promete preservar informações e memórias por até 300 anos na órbita terrestre.

Um sonho pessoal que virou negócio inovador

Federico Brito, apaixonado pelo espaço desde a adolescência, decidiu fundar em 2022 a Last Trip, uma empresa dedicada a enviar ao espaço cinzas humanas e arquivos digitais por meio de lançamentos de foguetes realizados pela SpaceX, de Elon Musk. O ponto de partida foi uma promessa feita ao pai: ele desejava que suas cinzas flutuassem no cosmos, visíveis a seus netos “do céu noturno da Terra”.

Com formação em biologia e experiência no desenvolvimento de sistemas de propulsão para foguetes, Federico também é professor em uma escola pública de Vicente López, na Argentina. O vínculo com a ciência e o espaço o inspirou a transformar uma ideia emocional em um projeto com impacto tecnológico e cultural.

Lançamentos e crescimento da iniciativa

O primeiro envio ao espaço aconteceu em janeiro de 2023 e contou com cinzas de pessoas e animais de estimação, além de arquivos digitais com memórias pessoais. A proposta atraiu outros interessados, e a empresa rapidamente se destacou como a primeira da América Latina a oferecer esse tipo de serviço, gerando grande repercussão.

Em fevereiro de 2025, a Last Trip realizou seu segundo lançamento, com a inclusão simbólica de uma pequena porção das cinzas do próprio pai de Federico, além de homenagens digitais enviadas por outros participantes. Essa nova remessa foi promovida sob o lema “Celebrar a vida na Terra”, com o objetivo de eternizar experiências humanas relevantes em cinco categorias: meio ambiente, saúde, arte, esporte e educação.

Arte e cultura ganham espaço no cosmos

Federico relatou que os artistas foram os principais colaboradores, representando 80% do conteúdo enviado no segundo lançamento. Entre os materiais estavam obras literárias, pinturas, campanhas publicitárias e até uma carta digitalizada escrita por Jorge Luis Borges em 1962, pertencente ao acervo pessoal de Brito.

O projeto também recebeu contribuições inusitadas, como uma campanha do ex-jogador e técnico Sebastián Battaglia. Segundo o criador da Last Trip, isso ampliou o escopo da proposta: “Não se trata apenas de homenagens póstumas, mas também de preservar manifestações culturais e artísticas para o futuro”.

Arquivos preservados por 300 anos no espaço

A tecnologia utilizada permite que os arquivos permaneçam na órbita da Terra por ao menos três séculos. De acordo com Brito, o satélite do segundo voo encontra-se atualmente em rota para uma órbita geoestacionária, longe o suficiente da Terra para resistir ao desgaste por centenas de anos. “Essa órbita garante uma longevidade orbital de pelo menos 300 anos”, afirmou.

A Last Trip adquire módulos acoplados a satélites de outras empresas. Porém, como não controla os satélites utilizados, Federico tem planos de desenvolver seus próprios dispositivos, o que permitirá aos clientes acompanhar a posição exata do material enviado, algo impossível com a tecnologia atual.

Quanto custa enviar cinzas ou arquivos ao espaço?

Atualmente, o envio de um grama de cinzas ao espaço custa cerca de 500 dólares quando contratado diretamente com a Last Trip. Caso o serviço seja feito por meio de funerárias parceiras, o valor pode variar. Os interessados podem entrar em contato por meio do site oficial da empresa ou pelo perfil no Instagram.

Além das cinzas, a empresa também oferece a opção de envio exclusivo de arquivos digitais. O terceiro módulo, previsto para ser lançado ainda em 2025, será dedicado integralmente a obras artísticas de argentinos e estrangeiros, reafirmando a proposta de unir ciência e cultura em um legado orbitando a Terra.

Um novo olhar sobre o luto e a memória

Mais do que um serviço fúnebre alternativo, a iniciativa de Federico Brito propõe uma nova forma de lidar com a memória e o legado. Ao levar histórias, criações e afetos para o espaço, a Last Trip permite que a lembrança de pessoas e produções humanas ultrapasse os limites do tempo e da Terra — uma verdadeira cápsula cultural do presente para o futuro.

[Fonte: O globo]

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