Pular para o conteúdo
Ciência

Insônia e transtornos de humor formam um ciclo perigoso — e a ciência mostra por que tratar o sono pode ser decisivo para proteger a saúde mental

Dormir mal por longos períodos não afeta apenas a energia diária: também aumenta significativamente o risco de ansiedade e depressão. Especialistas alertam que insônia e transtornos emocionais se reforçam mutuamente, criando um ciclo difícil de quebrar. A boa notícia é que a ciência já identificou estratégias eficazes para interromper esse processo.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

O sono é um dos pilares da saúde física e mental. No entanto, quando ele se torna irregular ou insuficiente, as consequências podem ir muito além do cansaço. Pesquisas médicas indicam que a insônia está fortemente ligada ao surgimento de transtornos de humor, como ansiedade e depressão. No Dia Mundial do Sono, especialistas chamam atenção para essa relação e defendem abordagens terapêuticas que priorizem mudanças de hábitos e tratamentos não farmacológicos.

A relação bidirecional entre sono e saúde emocional

Movil Dormir 1
© Unsplash

Especialistas explicam que a ligação entre insônia e transtornos de humor funciona como uma via de mão dupla.

Segundo a neurologista Stella Maris Valiensi, do Hospital Italiano de Buenos Aires, o problema pode ser tanto causa quanto consequência de dificuldades emocionais.

Uma pessoa que sofre de insônia por longos períodos tende a desenvolver maior vulnerabilidade a sintomas depressivos e ansiedade. Por outro lado, indivíduos que já enfrentam esses transtornos frequentemente apresentam alterações na qualidade do sono.

Pesquisadores da Harvard Medical School também destacam essa relação. O especialista em medicina do sono Lawrence J. Epstein afirma que pessoas com distúrbios do sono têm maior probabilidade de desenvolver problemas emocionais ao longo do tempo.

Quando dormir mal se transforma em um transtorno

Pílulas para dormir podem aumentar risco de Alzheimer, alerta estudo
© Pexels

A insônia é definida como a dificuldade persistente para iniciar ou manter o sono. Segundo a Mayo Clinic, esse distúrbio pode provocar fadiga constante, redução do desempenho nas atividades diárias e prejuízos na qualidade de vida.

Entre os sintomas mais comuns estão:

  • cansaço persistente

  • irritabilidade

  • dificuldade de concentração

  • queda no rendimento profissional ou acadêmico

  • preocupação constante com o próprio sono

Valiensi aponta que pessoas que dormem mal por longos períodos — como dois anos ou mais — apresentam mais de 50% de probabilidade de desenvolver sintomas depressivos.

O círculo vicioso entre ansiedade e insônia

Um dos maiores desafios no tratamento da insônia é o chamado ciclo ansiedade–sono.

Quando alguém passa várias noites dormindo mal, é comum que comece a se preocupar excessivamente com a próxima noite de sono. Essa preocupação aumenta os níveis de ansiedade e ativa um estado de alerta no cérebro, conhecido como hipervigilância.

Esse estado fisiológico dificulta ainda mais o relaxamento necessário para dormir.

Segundo a MedlinePlus, esse processo pode transformar um problema ocasional de sono em um transtorno crônico, com impacto significativo na saúde mental.

Estudos citados pela Harvard Medical School indicam que até uma em cada cinco pessoas diagnosticadas com insônia pode desenvolver depressão maior ao longo do tempo.

O que a ciência recomenda para quebrar esse ciclo

Apesar da frequência com que medicamentos são utilizados, especialistas afirmam que o tratamento de primeira linha para a insônia costuma ser não farmacológico.

Uma das abordagens mais recomendadas é a Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-I). Esse método ajuda os pacientes a identificar pensamentos e hábitos que prejudicam o sono e a substituí-los por padrões mais saudáveis.

Entre as práticas mais indicadas pelos especialistas estão:

  • manter horários regulares para dormir e acordar

  • limitar o uso de telas antes de dormir

  • associar a cama apenas ao descanso

  • praticar técnicas de relaxamento

  • criar um ambiente adequado para o sono

Segundo a Mayo Clinic, a parte cognitiva da terapia ajuda a modificar crenças e preocupações que interferem no processo natural de dormir.

Medicamentos exigem cautela

Pílulas para dormir podem aumentar risco de Alzheimer, alerta estudo
© Pexels

Embora remédios para dormir possam trazer alívio rápido, especialistas alertam que eles devem ser usados com cautela e sempre sob orientação médica.

Medicamentos como benzodiazepínicos e os chamados “fármacos Z” podem provocar tolerância e dependência quando utilizados por longos períodos. Em alguns casos, a interrupção do uso pode causar o chamado “insônia de rebote”, quando o problema retorna de forma ainda mais intensa.

Até suplementos populares, como a melatonina, não são recomendados para todos os pacientes e precisam ser avaliados individualmente.

De acordo com especialistas, quando medicamentos são necessários, o ideal é utilizá-los na menor dose possível e por períodos limitados.

Dormir bem como estratégia de saúde mental

Cada vez mais pesquisas reforçam que proteger o sono é uma das formas mais eficazes de preservar o equilíbrio emocional.

Mudanças simples na rotina podem ter impacto profundo no bem-estar psicológico e na qualidade de vida.

Para especialistas, reconhecer sinais de insônia e buscar ajuda profissional quando o problema persiste é essencial. Tratar o sono não significa apenas descansar melhor — pode ser um passo decisivo para cuidar da saúde mental como um todo.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

Partilhe este artigo

Artigos relacionados