Um novo capítulo de tensão internacional se desenrola no Mediterrâneo. Greta Thunberg, conhecida por seu ativismo climático, agora se une a uma missão humanitária que busca romper o bloqueio marítimo de Gaza. Com apoio de políticos e artistas, o grupo enfrenta agora a resistência explícita do governo israelense, que já sinalizou que não permitirá a chegada do barco ao território palestino.
Israel promete impedir avanço de ativistas
O ministro da Defesa de Israel prometeu impedir que um barco de ajuda humanitária com a ativista sueca Greta Thunberg e outros ativistas chegue à Faixa de Gaza.
➡ Assista à #GloboNews: https://t.co/bFwcwLpLU9 pic.twitter.com/XQU2ZYVKyI
— GloboNews (@GloboNews) June 8, 2025
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou neste domingo (8) que o país não permitirá que a embarcação liderada por Greta Thunberg e outros ativistas chegue até Gaza. A bordo do navio Madleen, operado pela Freedom Flotilla Coalition, estão 12 pessoas que partem de uma iniciativa internacional para levar ajuda humanitária à população palestina sitiada.
“À antissemita Greta e seus companheiros porta-vozes da propaganda do Hamas, digo claramente: vocês devem voltar, porque não chegarão a Gaza“, declarou Katz em sua conta na rede X (ex-Twitter). Segundo o ministro, o bloqueio marítimo visa impedir a entrada de armas para o grupo Hamas.
Interferências, riscos e clima de tensão
Na manhã de domingo, os ativistas relataram uma interferência eletrônica nos radares da embarcação, o que gerou preocupações sobre um possível ataque ou interceptação. O brasileiro Thiago Ávila, membro da missão, relatou em vídeo que o local informado pelo rastreador do navio foi alterado para o Aeroporto da Jordânia. “Sabemos o que isso significa. Quando bloqueiam nossa comunicação, é porque estão se preparando para algo”, afirmou.
Apesar da breve normalização dos sistemas, o grupo segue alerta, temendo ações militares semelhantes às ocorridas em missões anteriores.
Quem está a bordo da missão

Além de Thunberg, fazem parte da tripulação a deputada europeia Rima Hassan, de origem palestina, que já teve a entrada em Israel negada, e o ator Liam Cunningham, conhecido pela série “Game of Thrones”. Todos eles integram uma missão que partiu da Sicília, na Itália, com o objetivo de entregar alimentos e suprimentos médicos aos habitantes de Gaza — além de chamar a atenção internacional para a crise humanitária em curso.
Durante uma coletiva antes da viagem, Thunberg afirmou que o “silêncio mundial diante da situação em Gaza equivale a um genocídio transmitido ao vivo”.
Histórico de confrontos e ataques
Esta não é a primeira tentativa da Freedom Flotilla de romper o bloqueio naval. Em maio, outra embarcação da coalizão foi atacada por drones enquanto navegava em águas internacionais próximas a Malta. O ataque danificou a parte dianteira do navio, e o grupo responsabilizou diretamente Israel pela ação.
A situação reacende debates sobre o uso da força para conter ações humanitárias e a legalidade do bloqueio imposto por Israel desde que o Hamas assumiu o controle da Faixa de Gaza em 2007.
Crise humanitária e pressões internacionais
Desde o início da guerra, em outubro de 2023, cerca de 90% da população da Faixa de Gaza foi deslocada, e áreas inteiras foram reduzidas a escombros. Embora Israel tenha começado a permitir a entrada de uma quantidade limitada de ajuda humanitária no mês passado, organizações alertam para o risco iminente de fome em massa.
A missão liderada por Thunberg busca justamente destacar a urgência desse cenário, colocando novamente os olhos do mundo sobre um dos conflitos mais complexos e persistentes da atualidade.
[ Fonte: G1.Globo ]