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Ciência

Japão lança missão histórica a Marte para trazer à Terra algo que nenhuma nave conseguiu recuperar antes

Uma sonda japonesa iniciou uma viagem ambiciosa rumo ao planeta vermelho. Seu objetivo envolve um pequeno mundo misterioso e pode revelar segredos sobre a origem do sistema marciano.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Marte é um dos destinos mais estudados da exploração espacial, mas alguns de seus maiores mistérios não estão exatamente na superfície do planeta. Eles orbitam ao seu redor há bilhões de anos e podem guardar pistas fundamentais sobre a formação do Sistema Solar. Agora, o Japão iniciou uma missão que pretende investigar esses segredos de uma maneira inédita. Se tudo funcionar como planejado, os cientistas terão em mãos um material que nunca foi trazido diretamente à Terra.

O Japão acaba de iniciar uma das missões mais ambiciosas da exploração de Marte

A Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA) lançou com sucesso a missão Martian Moons eXploration (MMX), desenvolvida para investigar os dois satélites naturais de Marte: Fobos e Deimos.

O lançamento aconteceu em 19 de outubro de 2026, às 19h41 UTC, a partir do Centro Espacial de Tanegashima, no Japão, utilizando um foguete H3.

Diferentemente de outras missões marcianas, que concentram seus esforços na superfície do planeta vermelho, a MMX tem como principal objetivo explorar suas luas.

E existe uma razão científica importante para isso.

Fobos e Deimos são corpos pequenos, irregulares e muito diferentes da Lua terrestre. Sua origem permanece entre os grandes enigmas da astronomia planetária.

Uma hipótese sugere que eles eram asteroides capturados pela gravidade de Marte.

Outra possibilidade é que tenham surgido a partir dos destroços de uma colisão gigantesca envolvendo o planeta.

Para investigar essas explicações, a missão japonesa pretende realizar algo inédito: coletar pelo menos 10 gramas de material da superfície de Fobos e transportá-los até a Terra.

Se a operação for bem-sucedida, será a primeira vez que uma missão recuperará diretamente amostras de uma lua marciana.

Uma pequena lua pode esconder pistas sobre a história do planeta vermelho

Apesar de sua aparência modesta, Fobos pode preservar informações importantes sobre os primeiros bilhões de anos do Sistema Solar.

A análise de sua composição química e mineralógica ajudará os pesquisadores a investigar se a lua possui características semelhantes às de determinados asteroides ou se contém materiais associados à formação de Marte.

Existe ainda outra possibilidade fascinante.

Ao longo de bilhões de anos, impactos de meteoritos podem ter lançado fragmentos da superfície marciana ao espaço.

Parte desse material pode ter alcançado Fobos e permanecido depositada em seu solo.

Isso significa que as amostras recolhidas pela missão japonesa poderão conter não apenas informações sobre a lua, mas também possíveis vestígios da história geológica de Marte.

Para investigar essas questões, a MMX transporta câmeras, espectrômetros e um altímetro a laser.

Os instrumentos permitirão analisar a superfície, identificar minerais e selecionar regiões adequadas para as operações de coleta.

Entretanto, pousar em Fobos representa um desafio extraordinário.

Sua gravidade é aproximadamente 1.700 vezes menor que a terrestre, tornando qualquer aproximação extremamente delicada.

A sonda foi projetada para realizar duas operações de pouso e utilizar mecanismos complementares de coleta, incluindo um dispositivo capaz de recolher partículas superficiais com auxílio de gás pressurizado.

Um pequeno robô europeu também participará da exploração

A missão japonesa contará com um explorador robótico chamado Idefix, desenvolvido em parceria pelo Centro Aeroespacial Alemão (DLR) e pela agência espacial francesa CNES.

O veículo foi projetado para estudar diretamente a superfície de Fobos e investigar as propriedades de seu terreno.

Essas informações poderão ajudar os cientistas a compreender melhor o comportamento do solo em condições de gravidade extremamente baixa.

O pequeno robô também fornecerá dados úteis para as operações da nave principal.

Seu deslocamento até a superfície está previsto para o final de 2028 ou início de 2029.

Depois disso, sua atividade poderá se estender por aproximadamente 100 dias.

A missão inclui ainda contribuições científicas e tecnológicas da NASA e da Agência Espacial Europeia.

Essa colaboração internacional demonstra a importância do projeto para o estudo dos pequenos corpos do Sistema Solar.

Quando as primeiras amostras de Fobos chegarão à Terra?

Segundo o cronograma previsto, a MMX deverá alcançar a região de Marte em agosto de 2027.

A partir desse momento, começará uma etapa de observações detalhadas, reconhecimento da superfície e escolha dos locais mais adequados para a coleta.

Além das operações em Fobos, a nave também realizará sobrevoos de Deimos, permitindo estudar as diferenças entre as duas luas.

O retorno à Terra está programado para 2031.

Uma cápsula contendo as amostras deverá atravessar a atmosfera terrestre e entregar o material para análise em laboratórios especializados.

A grande vantagem de trazer essas partículas ao nosso planeta é a possibilidade de examiná-las com equipamentos muito mais sofisticados do que aqueles transportados por uma sonda espacial.

Os cientistas poderão investigar sua composição, estrutura e características microscópicas com precisão elevada.

Esses resultados poderão ajudar a esclarecer a origem de Fobos e Deimos, além de oferecer novas informações sobre a evolução de Marte.

O sucesso da missão, porém, dependerá de uma sequência complexa de operações, incluindo a chegada ao sistema marciano, os pousos, a coleta e o retorno.

Se tudo acontecer conforme o planejado, o Japão poderá realizar um feito histórico e trazer à Terra um pequeno fragmento de um mundo que permanece praticamente inexplorado.

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