Desde que foi anunciado em 2022, Karate Kid: Legends gerou altas expectativas. A confirmação de Ralph Macchio e Jackie Chan no elenco alimentou ainda mais o hype dos fãs — especialmente por conectar o universo clássico da franquia com o sucesso recente da série Cobra Kai. Mas após tanta espera, o resultado final não corresponde ao potencial.
Um começo promissor (demais)
O filme abre com uma cena ambientada em 1986, em Okinawa, reutilizando imagens de Karatê Kid II com uma camada animada adicional que dá contexto histórico: a origem da arte marcial de Miyagi e sua conexão com a família Han, de Mr. Han (personagem de Chan). Essa introdução empolga ao sugerir que veremos o encontro de duas linhagens lendárias por uma causa maior.
No entanto, essa expectativa se esvanece rápido. Em vez de uma história épica sobre tradição e legado, o filme mergulha em um enredo morno: acompanhamos Li (Ben Wang), sobrinho de Mr. Han, treinando… Pacey, de Dawson’s Creek, para uma luta de boxe. Literalmente. A promessa inicial logo se transforma em uma trama genérica com poucos riscos e pouca emoção.
A jornada que não empolga
Li eventualmente passa a ser treinado por Mr. Han e, em seguida, por Daniel LaRusso (Macchio), que viaja a Nova York para ajudar na preparação para um torneio. Tudo segue o roteiro esperado: Li evolui, enfrenta desafios e — spoiler — vence. Mas o filme não consegue explorar com profundidade o legado dos personagens nem desenvolver tensão ou inovação real na história.
A narrativa central, embora bem-intencionada, parece desconectada do que tornou a franquia especial: a combinação de emoção, disciplina, rivalidade e evolução pessoal. Aqui, tudo soa raso.
Um final que salva (um pouco)
O verdadeiro brilho volta apenas nos minutos finais. Após o torneio, Daniel retorna à Califórnia e recebe uma pizza de Nova York enviada por Li, com um bilhete misterioso. Ele sorri, se vira e — surpresa — dá de cara com Johnny Lawrence (William Zabka).
Ver Johnny pós-Cobra Kai, com piadas sobre pizzarias inspiradas no Sr. Miyagi, resgata o espírito da saga e oferece o único momento que arrancou aplausos do público durante a exibição. É uma cena divertida, nostálgica e bem colocada, lembrando que esse universo ainda tem muito a oferecer… mesmo que o filme não aproveite isso.
Vale a pena?
Karate Kid: Legends tenta atualizar a franquia, mas entrega algo genérico entre duas boas cenas. A introdução e o final são potentes — e Ben Wang tem carisma o bastante para continuar no papel de Li em produções futuras. Mas o filme como um todo não justifica seu próprio hype.
Para quem é fã, vale assistir pelos momentos de nostalgia. Para o resto do público, talvez valha mais esperar pela próxima temporada de Cobra Kai.