O uso de psicodélicos como LSD e psilocibina (cogumelos mágicos) vem ganhando força na ciência. Um estudo recente, conduzido pela farmacêutica MindMed e publicado no periódico JAMA, sugere que doses controladas de LSD podem reduzir os sintomas de ansiedade de forma consistente e duradoura, abrindo caminho para tratamentos psiquiátricos inovadores.
O estudo que pode mudar a psiquiatria
O ensaio clínico de fase II testou o MM-120, uma formulação de LSD desenvolvida pela MindMed, em 198 pessoas diagnosticadas com transtorno de ansiedade generalizada. Os participantes foram divididos em cinco grupos e receberam placebo ou doses de 25, 50, 100 ou 200 microgramas da substância.
Após a ingestão, os voluntários foram monitorados por 12 horas e acompanhados por 12 semanas. Os resultados mostraram que, na quarta semana, os grupos que tomaram 100 ou 200 microgramas apresentaram redução significativa dos sintomas, em comparação com quem recebeu placebo.
Resultados animadores e sustentados
- Quase 50% dos participantes que tomaram 100 ou 200 microgramas estavam em remissão após 12 semanas.
- Entre os que tomaram placebo, a taxa foi de apenas 20%.
- Doses menores (25 ou 50 microgramas) apresentaram melhora, mas sem relevância estatística.
Os efeitos colaterais foram geralmente leves, incluindo alucinações visuais, náuseas e dores de cabeça. Alterações visuais ocorreram em praticamente todos os que receberam doses a partir de 100 microgramas.
LSD e a nova fronteira da medicina psicodélica
Segundo Maurizio Fava, diretor de psiquiatria do Mass General Brigham e consultor da MindMed, o estudo representa um “ponto de virada na psiquiatria”. A empresa já iniciou três ensaios clínicos de fase III, dois deles focados em ansiedade e outro em depressão.
Se os próximos resultados confirmarem a eficácia e segurança, o LSD pode se tornar um tratamento oficialmente reconhecido para transtornos de ansiedade — um marco histórico na medicina.
O desafio da regulamentação
Apesar dos avanços, a terapia psicodélica ainda enfrenta resistência. A FDA (agência reguladora dos EUA) já aprovou o Spravato — um derivado de cetamina — para depressão resistente em 2019. Porém, em 2024, rejeitou o uso da MDMA para tratar TEPT, pedindo mais evidências científicas.
O caminho do LSD como medicamento, portanto, depende do sucesso dos ensaios de fase III. Se os resultados se mantiverem, a expectativa é que o MM-120 abra portas para uma nova era na psiquiatria moderna.
Um estudo clínico indica que doses controladas de LSD podem reduzir significativamente os sintomas de ansiedade generalizada. Com os ensaios de fase III em andamento, a substância pode se tornar parte de um novo paradigma terapêutico, mas a aprovação ainda depende de resultados mais robustos e da análise de órgãos regulatórios.