A Ucrânia viveu uma reviravolta política que culminou na revelação de um escândalo de corrupção no setor de defesa. Poucos dias após a restauração da independência de agências anticorrupção, veio à tona um esquema de superfaturamento de drones militares, envolvendo políticos e membros da Guarda Nacional. O episódio marca um novo capítulo na luta contra a corrupção no país, em meio à guerra e à pressão da população por mais transparência.
A denúncia que sacudiu a política ucraniana

Neste sábado, as agências NABU e SAPO, responsáveis pelo combate à corrupção na Ucrânia, divulgaram a descoberta de um esquema envolvendo subornos e contratos militares inflacionados. Segundo as investigações, um deputado, dois políticos locais e vários integrantes da Guarda Nacional estariam entre os beneficiados. Um dos contratos investigados previa a compra de equipamentos com valores artificialmente aumentados, com propina equivalente a 30% do montante total.
A revelação ocorre dois dias após o parlamento ucraniano revogar uma lei que havia enfraquecido essas mesmas agências. A mudança legislativa foi uma resposta direta aos protestos da população, que foram os maiores desde o início da invasão russa. A pressão popular levou o presidente Volodymyr Zelensky e o Legislativo a voltarem atrás na proposta que eles mesmos haviam apoiado na semana anterior.
Recuo político e pressão internacional
Diante da crise, Zelensky utilizou as redes sociais para agradecer publicamente o trabalho das agências anticorrupção. Ele reconheceu a importância da atuação independente desses órgãos e disse ter sido tocado pela indignação da sociedade. O presidente destacou que o combate à corrupção precisa ser uma prioridade absoluta, mesmo em tempos de guerra.
A revogação da lei foi aprovada por unanimidade na quinta-feira e celebrada por representantes internacionais. Marta Kos, comissária da União Europeia para o alargamento, afirmou que a UE apoia os ucranianos na defesa de valores fundamentais e elogiou a decisão da Rada (parlamento) por corrigir o que chamou de “votação prejudicial”.
Zelensky, por sua vez, afirmou neste sábado que “é essencial que as instituições anticorrupção tenham total independência e as ferramentas adequadas para agir”. Para o presidente, só com tolerância zero à corrupção será possível manter a confiança da população e do cenário internacional em meio ao conflito com a Rússia.
[Fonte: Veja]