O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quebrou o silêncio nesta quarta-feira (29) sobre a megaoperação policial no Rio de Janeiro, que terminou com mais de 120 mortos nos complexos do Alemão e da Penha. O caso, considerado o mais letal da história fluminense, provocou forte repercussão e levantou questionamentos sobre o uso da força nas comunidades.
Lula defende integração e critica ações isoladas

Em suas redes sociais, Lula destacou que o país precisa de um trabalho coordenado entre União, estados e municípios para enfrentar o crime organizado sem colocar policiais, crianças e famílias em risco.
“Não podemos aceitar que o crime organizado continue destruindo famílias, oprimindo moradores e espalhando drogas e violência pelas cidades”, afirmou o presidente.
Segundo ele, o foco deve estar na “espinha dorsal do tráfico”, atacando as estruturas financeiras e logísticas das facções.
PEC da Segurança Pública ganha destaque
Lula também mencionou a PEC da Segurança Pública, proposta do governo que prevê integração entre as polícias federal, estaduais e municipais. O texto, segundo o presidente, busca evitar sobreposição de esforços e tornar o enfrentamento ao crime mais eficiente.
“Com a aprovação da PEC da Segurança, que encaminhamos ao Congresso Nacional, vamos garantir que as diferentes forças policiais atuem de maneira conjunta no enfrentamento às facções criminosas”, disse Lula.
O relator da proposta, deputado Mendonça Filho (União-PE), afirmou que o relatório deve ser apresentado na primeira semana de dezembro, com votação prevista logo depois.
Governo federal pressiona o Rio
Mais cedo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, criticou o governador Cláudio Castro, afirmando que o estado não tem colaborado com o governo federal no combate financeiro às facções.
“Essas práticas não serão interrompidas se não fizermos um trabalho no andar de cima. Para isso, precisamos da colaboração federativa”, disse Haddad.
Ele informou que a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional vai buscar a gestão estadual para propor ações conjuntas contra o ‘andar de cima’ do crime organizado, ressaltando que “essa não é uma disputa eleitoral, e sim uma disputa contra o crime”.
Uma tragédia que reacende o debate
Com o saldo trágico da operação, o episódio reacende o debate sobre segurança pública no Brasil — entre o uso excessivo da força e a necessidade de desmantelar o poder do tráfico. Lula tenta equilibrar o discurso político com a pressão por resultados, enquanto o país aguarda por mudanças concretas no combate ao crime.
[Fonte: Carta Capital]