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“Zona de guerra”: entenda o que aconteceu no Rio de Janeiro após megaoperação policial

A maior operação da história do estado deixou 64 mortos e 81 presos, com apreensão de 93 fuzis e meia tonelada de drogas. A “Operação Contenção”, realizada nesta terça-feira (28), buscou conter o avanço territorial do Comando Vermelho (CV) e prender lideranças criminosas.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A maior operação já registrada no Rio

A ação conjunta da Polícia Civil, Polícia Militar e do Ministério Público mobilizou 2.500 agentes nos Complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio. O objetivo era cumprir mandados de prisão e enfraquecer a estrutura do CV, uma das facções mais antigas e violentas do país.

De acordo com o governo estadual, 81 suspeitos foram presos, incluindo “Belão”, apontado como uma das lideranças do grupo. Durante os confrontos, 64 pessoas morreram, entre elas quatro policiais.

Foram apreendidos 93 fuzis, granadas e meia tonelada de entorpecentes. O governador Cláudio Castro afirmou que o estado “não vai tolerar conivência com o crime” e solicitou ao governo federal dez vagas em presídios federais para transferir imediatamente chefes de facções.

“Estamos enfrentando o crime com rigor, dentro da lei. Quem continuar comandando ações de dentro das cadeias será isolado e responsabilizado”, declarou Castro.

Confrontos e isolamento de lideranças

Rio Zona De Guerra
© X-@Ahora_Py

A “Operação Contenção” teve início após um relatório de inteligência elaborado pela Polícia Civil em conjunto com a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap). O documento apontava tentativas de reorganização do CV dentro e fora das prisões.

Participaram da ofensiva agentes do COE (Comando de Operações Especiais), CORE (Coordenadoria de Recursos Especiais) e do Departamento de Combate à Lavagem de Dinheiro.
Durante a operação, houve intensos tiroteios em áreas de mata, e segundo o governo, 60 suspeitos morreram em confronto direto com as forças policiais.

A Seap também reforçou as revistas nas penitenciárias, apreendendo celulares e drogas nas celas de líderes da facção.

Impacto na rotina da cidade

A violência paralisou parte do sistema público. De acordo com a Secretaria Municipal de Educação (SME), 31 escolas no Complexo do Alemão e 17 na Penha foram afetadas, com aulas suspensas por segurança. A abertura das unidades seguiu o protocolo “Acesso Mais Seguro”, criado com apoio da Cruz Vermelha Internacional, que monitora os riscos em tempo real.

Na saúde, a Secretaria Estadual (SES-RJ) informou que os hospitais e postos mantiveram o atendimento normal, sem interrupções. Já na Secretaria Municipal, não houve resposta oficial até o fechamento das informações.

Transporte e mobilidade sob pressão

O impacto também atingiu o transporte público. Segundo o Rio Ônibus, 71 coletivos foram usados como barricadas e 204 linhas foram afetadas. A operação do BRT (Transbrasil e Transcarioca) foi parcialmente interrompida, com bloqueios em trechos de alto risco.

O MetrôRio manteve as linhas 1, 2 e 4 operando normalmente, com reforço de trens nos horários de pico.
A Supervia confirmou que os trens funcionaram sem alterações, e o COR-Rio (Centro de Operações da Prefeitura) informou que a mobilidade urbana estava gradualmente sendo restabelecida no fim da tarde.

O aeroporto do Galeão (RIOgaleão) registrou dois voos atrasados, mas as vias de acesso foram liberadas. O aeroporto Santos Dumont não divulgou informações sobre eventuais impactos.

Um retrato do desafio fluminense

A “Operação Contenção” expôs, mais uma vez, a complexa dinâmica da violência urbana no Rio de Janeiro, marcada pela presença de facções armadas em áreas densamente povoadas.
Enquanto o governo estadual reforça o discurso de enfrentamento, especialistas alertam que ações de grande escala, embora necessárias em curto prazo, não resolvem as causas estruturais da violência — como desigualdade, ausência do Estado e economia do tráfico.

Com a cidade retomando lentamente a normalidade, a operação deixa um saldo controverso: uma trégua temporária na expansão do crime, mas também um novo debate sobre os limites da segurança pública em territórios de guerra urbana.

 

[ Fonte: CNN Brasil ]

 

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