O filme, que soa mais como uma continuação de The Incredible Hulk (2008) do que como um quarto filme do Capitão América, evidencia as costuras de uma produção reeditada diversas vezes. Mudanças bruscas de penteado, personagens isolados do enredo principal e trocas de figurino sem explicação permeiam o longa. Mas a cena mais questionável envolve Liv Tyler, cujo retorno como Betty Ross gerou desconforto pelo modo como foi filmada.
A narrativa se concentra mais em Thaddeus Ross (Harrison Ford) do que em Sam Wilson (Anthony Mackie), explorando a crise diplomática que Ross enfrenta enquanto tenta resolver seu conflito com a filha, Betty, afastada desde a época de William Hurt. Betty, interpretada novamente por Tyler, aparece em apenas duas cenas: uma breve ligação com o pai antes da batalha final e uma visita à prisão The Raft após sua transformação em Red Hulk.
Essas cenas, porém, são estranhas de formas distintas. Na ligação, Tyler diz poucas palavras enquanto Ford conduz a conversa. Já na visita à prisão, a atriz é filmada à sombra, desfocada e de ângulos que parecem intencionalmente esconder sua presença. Betty é mencionada mais vezes do que realmente aparece, dando a impressão de que Tyler nunca esteve com os colegas no set.
Entretanto, um porta-voz da Disney, em declaração ao IGN, negou qualquer substituição digital. Segundo ele, Tyler gravou o áudio da ligação — sem uso de tecnologia como Respeecher — e esteve no set com Mackie e Ford para a cena final, sem dublês. As escolhas de enquadramento, portanto, não derivaram de limitações técnicas, mas de decisões estilísticas.
Essa sensação de remendo não é nova para a Marvel, famosa por reconfigurar cenas após as filmagens. É comum que atores gravem sozinhos em estúdios vazios, sem saber com quem ou o quê contracenarão, o que resulta em momentos desconexos.
Embora os bastidores de Brave New World permaneçam envoltos em mistério, o retorno de Liv Tyler ao MCU, quase duas décadas depois, parece ter sido mais simples do que a edição do filme sugere.