Tensões Comerciais e Medidas de Retaliação
Os mercados financeiros enfrentam um dia volátil, com quedas generalizadas impulsionadas pelo receio de uma guerra comercial prolongada entre os Estados Unidos e seus principais parceiros econômicos. O governo americano impôs novas tarifas sobre produtos da China, México e Canadá, que, por sua vez, retaliaram com medidas semelhantes. Essa escalada de tensões gerou preocupação entre os investidores, que temem impactos negativos sobre o crescimento econômico global.
Nesta terça-feira, entraram em vigor tarifas de 25% impostas pelos EUA sobre produtos canadenses e mexicanos. Além disso, os americanos dobraram os impostos sobre diversas importações chinesas, elevando as alíquotas de 10% para 20%. Pequim respondeu rapidamente, impondo tarifas de 10% a 15% sobre produtos agropecuários dos EUA, incluindo carne bovina, milho e soja.
Jim Reid, analista do Deutsche Bank, destacou que ainda há incertezas sobre a duração dessas tarifas, mas a escalada de tensões já foi suficiente para abalar a confiança dos mercados. A União Europeia também demonstrou preocupação, alertando que tais tarifas ameaçam cadeias produtivas integradas e a estabilidade econômica transatlântica. O ministro da Economia da França, Eric Lombard, reforçou que o bloco europeu não aceitará acordos desfavoráveis e está pronto para negociar de forma firme.
Impacto nos Mercados Globais
As bolsas europeias e asiáticas registraram quedas significativas. O índice alemão DAX caiu 2,3%, enquanto o CAC 40 de Paris recuou 1,4%. Em Londres, o FTSE 100 teve perda de 0,5%.
Na Ásia, o índice Nikkei 225 de Tóquio caiu 1,2%, enquanto o Hang Seng de Hong Kong recuou 0,4%. Apenas o índice de Xangai conseguiu um leve avanço de 0,2%.
Em Wall Street, os futuros do S&P 500 e do Nasdaq caíram 0,6% antes da abertura do mercado, enquanto os futuros do Dow Jones recuaram 0,3%. Essas quedas se somam às perdas de segunda-feira, reduzindo os ganhos acumulados do S&P 500 desde as eleições, que haviam chegado a 6%, para pouco mais de 1%.
Segundo Kathleen Brooks, diretora de pesquisa da XTB, o mercado foi impactado não apenas pelas tarifas, mas também pela incerteza sobre um acordo de paz na Ucrânia e pelos planos da OPEP+ de aumentar a produção de petróleo.
Petróleo e Ativos Refúgio
Os preços do petróleo também recuaram após a confirmação de que a OPEP+ aumentará a produção a partir do próximo mês.
O Brent, referência na Europa, caiu 1,61%, para US$ 70,47 por barril, o menor nível desde o início do ano. O West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, recuou 1,26%, para US$ 67,51.
Em contrapartida, ativos considerados seguros em tempos de incerteza, como o ouro e o euro, registraram valorização. O ouro subiu 0,91%, alcançando US$ 2.919,7 por onça. O euro se fortaleceu frente ao dólar, cotado a US$ 1,054.
Expectativa de Estímulos e Cortes de Juros
Diante desse cenário, os investidores estão atentos a possíveis medidas de estímulo econômico que poderão ser anunciadas pelo governo chinês na Assembleia Popular Nacional.
O Banco Central Europeu (BCE) também pode cortar novamente as taxas de juros nesta quinta-feira para impulsionar a economia da zona do euro.
Na sexta-feira, os olhares estarão voltados para os dados de emprego nos EUA, que poderão fornecer mais informações sobre a saúde da economia americana. No entanto, os analistas alertam que a instabilidade geopolítica e comercial continuará sendo um fator determinante para os mercados no curto prazo.
Fonte: Infobae