A corrida global pela inteligência artificial está obrigando as grandes empresas de tecnologia a tomar decisões radicais. Na Meta, companhia controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp, essa transformação pode vir acompanhada de um corte histórico de funcionários. Segundo informações divulgadas pela Reuters, executivos da empresa discutem a possibilidade de reduzir até um quinto de sua força de trabalho enquanto a companhia intensifica investimentos bilionários em infraestrutura de IA.
Um possível corte histórico na Meta

Caso a redução alcance os 20% discutidos internamente, o corte seria o maior já realizado pela empresa desde a reestruturação conhecida como “ano da eficiência”.
No final do último ano, a Meta tinha aproximadamente 79 mil funcionários em todo o mundo. Uma redução nesse patamar poderia significar dezenas de milhares de demissões.
Essa não seria a primeira grande reestruturação recente da empresa. Em novembro de 2022, a companhia já havia eliminado cerca de 11 mil postos de trabalho — aproximadamente 13% de sua força laboral na época. Meses depois, outros 10 mil funcionários foram desligados como parte de um esforço para reduzir custos e reorganizar as operações.
De acordo com fontes próximas às discussões, executivos já pediram que líderes de diferentes departamentos preparem planos de redução. No entanto, o número final de funcionários afetados ainda não foi oficialmente definido.
O custo da corrida pela inteligência artificial

Por trás dessa possível reestruturação está uma estratégia agressiva liderada pelo CEO Mark Zuckerberg para posicionar a Meta como uma das líderes globais em inteligência artificial.
Nos últimos meses, a empresa acelerou investimentos em infraestrutura tecnológica necessária para treinar modelos avançados de IA. Entre os compromissos mais ambiciosos está o plano de investir cerca de 600 bilhões de dólares até 2028 na construção de novos centros de dados.
Essas instalações são essenciais para treinar modelos de inteligência artificial cada vez mais complexos, que exigem enorme capacidade de processamento e grandes quantidades de energia.
Além da infraestrutura, a Meta também tem investido pesadamente na contratação de talentos. A empresa ofereceu pacotes salariais que podem chegar a centenas de milhões de dólares ao longo de quatro anos para atrair alguns dos principais pesquisadores de IA do mundo.
Aquisições e novas apostas em tecnologia

A estratégia de expansão também inclui aquisições de empresas ligadas ao setor de inteligência artificial.
Entre os movimentos mais recentes estão a compra da startup chinesa Manus por cerca de 2 bilhões de dólares e a aquisição da Moltbook, uma rede social criada especificamente para interação entre agentes de IA.
Segundo Zuckerberg, essas iniciativas fazem parte de uma transformação estrutural na forma como as empresas desenvolvem tecnologia. Em declarações feitas no início do ano, o executivo afirmou que projetos que antes exigiam grandes equipes agora podem ser executados por um pequeno número de especialistas altamente qualificados.
Essa visão reforça uma tendência que vem ganhando força no Vale do Silício: equipes menores, mais especializadas e altamente apoiadas por ferramentas de inteligência artificial.
Um fenômeno que se espalha pelo setor de tecnologia
A possível redução de pessoal na Meta não é um caso isolado. Diversas empresas de tecnologia nos Estados Unidos vêm passando por processos semelhantes.
Em janeiro, a Amazon anunciou a demissão de cerca de 16 mil funcionários, o equivalente a aproximadamente 10% de sua força de trabalho. Já a empresa de tecnologia financeira Block eliminou quase metade de seus postos recentemente.
O CEO da companhia, Jack Dorsey, afirmou que a evolução das ferramentas de inteligência artificial permite que empresas operem com equipes muito menores.
Para analistas, essa tendência pode se intensificar nos próximos anos à medida que a automação e os sistemas baseados em IA assumem tarefas antes executadas por humanos.
Desafios no desenvolvimento de IA dentro da Meta
Apesar do investimento massivo, a Meta também enfrenta obstáculos técnicos em seus projetos de inteligência artificial.
No ano passado, a empresa recebeu críticas após o lançamento de seus modelos Llama 4, que apresentaram resultados considerados inconsistentes em testes iniciais.
Outro projeto interno ambicioso, conhecido como Behemoth, acabou sendo cancelado antes de seu lançamento previsto por não atingir as expectativas de desempenho.
Atualmente, o time de superinteligência da Meta trabalha em um novo modelo chamado Avocado. Entretanto, relatórios internos indicam que o sistema ainda não alcançou os resultados esperados.
Uma transformação profunda no setor
A situação da Meta ilustra um momento de transição profunda na indústria tecnológica. A corrida pela inteligência artificial exige investimentos gigantescos em infraestrutura e talentos altamente especializados.
Ao mesmo tempo, as ferramentas de IA prometem tornar diversas funções corporativas mais eficientes — o que pode levar empresas a operar com menos funcionários.
Se os planos de redução forem confirmados, a Meta poderá se tornar um dos exemplos mais claros de como a inteligência artificial está remodelando não apenas produtos e serviços, mas também o próprio mercado de trabalho no setor de tecnologia.
[ Fonte: Infobae ]