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Tecnologia

Meta pode enfrentar processo de US$ 1,4 trilhão por supostos danos a adolescentes — valor ameaça até a empresa

A Meta enfrenta um dos maiores desafios jurídicos de sua história. Quatro estados dos Estados Unidos pedem indenização de US$ 1,4 trilhão por supostas práticas que teriam incentivado o uso compulsivo de Instagram e Facebook por adolescentes. A empresa nega as acusações.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A Meta entrou em uma disputa judicial que pode se tornar uma das mais caras já enfrentadas por uma empresa de tecnologia. Quatro estados norte-americanos estão cobrando cerca de US$ 1,4 trilhão em indenizações por supostas práticas adotadas no Instagram e no Facebook que teriam contribuído para o vício de adolescentes nas plataformas.

O valor impressiona porque se aproxima da própria avaliação de mercado da Meta, atualmente em torno de US$ 1,5 trilhão. A empresa rejeita todas as acusações e afirma que a quantia pedida é desproporcional e sem precedentes na história da proteção ao consumidor.

O que motivou o processo contra a Meta

Ao todo, 33 estados dos Estados Unidos moveram uma ação conjunta contra a Meta.

Segundo os procuradores-gerais, a empresa teria desenvolvido recursos capazes de estimular o uso compulsivo das redes sociais por crianças e adolescentes, priorizando o engajamento em detrimento da saúde mental dos usuários mais jovens.

Além disso, os estados alegam que a companhia coletou dados de menores de idade sem o consentimento dos pais e teria induzido consumidores ao erro ao minimizar os possíveis efeitos das chamadas funcionalidades de design viciante.

Entre os estados que lideram essa parte do processo estão Califórnia, Nova Jersey, Colorado e Kentucky.

Por que a indenização é tão alta

De acordo com documentos apresentados pela Meta, os quatro estados calcularam a indenização multiplicando o número estimado de violações — baseado na quantidade de jovens supostamente afetados — pelas multas previstas na legislação de cada estado.

Como parte do processo permanece sob sigilo, o cálculo completo não foi divulgado publicamente.

A Meta argumenta que nunca houve, na história da legislação de defesa do consumidor dos Estados Unidos, uma penalidade sequer próxima desse valor.

Em sua defesa, a empresa cita inclusive um caso da Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos em que uma multa de US$ 1 bilhão foi considerada recorde. Segundo a companhia, o pedido atual supera esse montante em diversas ordens de grandeza.

Julgamento pode aumentar a pressão sobre a empresa

O julgamento está previsto para agosto e pode representar um risco financeiro significativo para a Meta caso a Justiça decida contra a empresa.

Executivos já haviam informado investidores de que esperavam perdas relacionadas ao aumento do escrutínio sobre questões envolvendo adolescentes, mas o valor de US$ 1,4 trilhão só veio a público recentemente.

Mesmo assim, esse não é o único desafio jurídico enfrentado pela empresa.

Milhares de processos semelhantes continuam em andamento

A Meta também responde a uma série de ações movidas por usuários que afirmam ter desenvolvido dependência das redes sociais ainda na infância ou adolescência.

No início deste ano, uma decisão judicial considerou a Meta e a Google responsáveis em um caso envolvendo uma jovem que alegou ter desenvolvido depressão e ansiedade após anos de uso intenso de plataformas como o Instagram. As empresas foram condenadas a pagar US$ 6 milhões em indenização.

A decisão ganhou destaque por limitar, naquele caso específico, a proteção normalmente garantida pela Seção 230 da legislação norte-americana, que costuma isentar plataformas digitais de responsabilidade por conteúdos publicados por terceiros.

Além desse processo, a Meta ainda enfrenta mais de 3 mil ações semelhantes apenas nos tribunais da Califórnia.

Outros 14 estados também apresentaram processos relacionados às mesmas acusações, com novos julgamentos previstos para o próximo ano.

Independentemente do desfecho, o caso representa um dos maiores testes jurídicos já enfrentados pela empresa e pode influenciar a forma como plataformas digitais serão responsabilizadas pelo impacto de seus produtos sobre crianças e adolescentes no futuro.

 

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