No universo da realidade aumentada, o preço tem se mostrado um fator decisivo. O Apple Vision Pro, lançado a US$ 3.500, ainda luta para encontrar público, apesar da tela de alta qualidade e da interface inovadora. A Meta parece ter aprendido com esse cenário e aposta agora em uma solução mais barata e prática: os óculos Hypernova, previstos para serem anunciados em setembro durante a conferência anual Meta Connect.
Hypernova: o que esperar do novo dispositivo
Segundo informações divulgadas por Mark Gurman, da Bloomberg, os óculos Hypernova devem custar cerca de US$ 800, valor bem abaixo dos rumores anteriores (entre US$ 1.000 e US$ 1.400). Embora ainda seja um investimento considerável, o preço os coloca no mesmo patamar de smartphones topo de linha como o Galaxy S25 ou o Google Pixel 9.
A principal novidade é a tela monocular integrada, recurso que amplia enormemente as possibilidades em relação aos Ray-Bans inteligentes da Meta, atualmente no mercado sem exibição de conteúdo visual.
Miniapps, notificações e controle por pulseira
Com a tela, os óculos Hypernova poderão rodar miniaplicativos, abrindo espaço para funções como navegação, mensagens e integração com serviços digitais. Além disso, a exibição de notificações deve resolver uma das principais limitações da geração atual de óculos da Meta.
Outro diferencial é o controle por pulseira sensora, que detecta movimentos das mãos para interagir com os apps. A tecnologia lembra o sistema de eletromiografia (EMG) usado no protótipo Orion, mas deve chegar em uma versão própria e simplificada.
Recursos já conhecidos, agora em versão turbinada
Meta Hypernova and Ceres Wristband (low res) pic.twitter.com/N1QS28A5ef
— Luna (@Lunayian) June 30, 2025
Assim como os Ray-Bans da Meta, o Hypernova deve manter câmera integrada para fotos e vídeos, microfones de boa qualidade e um assistente de voz. Mas a combinação com tela e miniapps transforma o produto em algo mais próximo de um substituto parcial do smartphone.
Com isso, o dispositivo pode atrair usuários dispostos a adiar a troca do celular em favor de um gadget inovador, que amplia o leque de funções do ecossistema digital.
A estratégia de preço
Ao posicionar os óculos Hypernova na faixa de US$ 800, a Meta aposta em um público disposto a gastar o mesmo valor que gastaria em um celular de ponta. A diferença é que, em vez de mais do mesmo, o consumidor teria acesso a um produto que traz novidade tecnológica e status de pioneirismo.
Em contraste, a estratégia da Apple com o Vision Pro — altíssimo preço em troca de uma experiência imersiva — ainda encontra barreiras para conquistar o grande público. A Meta, com a mesma lógica do headset Quest 3S, busca democratizar o acesso com preços mais próximos do consumo real.
Setembro pode marcar um novo capítulo
A expectativa é que o anúncio oficial aconteça em setembro de 2025, durante o Meta Connect. Caso se confirmem as especificações, os óculos Hypernova podem se tornar o primeiro grande produto de realidade aumentada com potencial de atingir um público mais amplo, além de abrir espaço para que os usuários comecem a enxergar os óculos inteligentes como um complemento ou até substituto parcial do smartphone.