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Tecnologia

Meta se afasta cada vez mais do metaverso, prepara demissão de 1.000 funcionários e redireciona sua aposta para IA e óculos inteligentes

Depois de rebatizar a empresa e investir bilhões em mundos virtuais, a Meta muda de rota: Reality Labs encolhe, os prejuízos se acumulam e a inteligência artificial surge como a nova prioridade estratégica da companhia de Mark Zuckerberg.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Há pouco mais de quatro anos, o Facebook deixava de existir como marca e dava lugar à Meta. A mudança simbolizava a ambição de Mark Zuckerberg de liderar a próxima grande revolução tecnológica: o metaverso. A ideia era criar ambientes virtuais imersivos para trabalho, lazer e interação social, apoiados por realidade virtual e aumentada. Hoje, porém, o cenário é bem diferente — e os sinais indicam que a empresa está, aos poucos, deixando esse sonho para trás.

Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional, a Meta planeja demitir mais de 1.000 funcionários da Reality Labs, divisão responsável pelo metaverso, pelos headsets Quest e por parte do desenvolvimento de dispositivos vestíveis. Os cortes atingem cerca de 10% da equipe da unidade e confirmam uma mudança clara de estratégia: o futuro da empresa passa menos pelos mundos virtuais e mais pela inteligência artificial.

O peso de um investimento bilionário que não deu retorno

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© Shutterstock

A decisão ocorre após anos de resultados financeiros frustrantes. Desde 2020, a Reality Labs acumulou perdas superiores a 73 bilhões de dólares. Apenas no terceiro trimestre de 2025, o prejuízo foi de 4,4 bilhões, enquanto a receita ficou em torno de 470 milhões de dólares — um descompasso difícil de sustentar mesmo para uma gigante da tecnologia.

Produtos como os headsets Quest e a plataforma social Horizon Worlds nunca conseguiram atingir o público massivo que Zuckerberg imaginava. Apesar de avanços técnicos e de uma base fiel de entusiastas, o metaverso da Meta não se transformou na “nova internet” prometida no início da década.

Esses números ajudam a explicar por que a empresa decidiu reduzir sua exposição a esse segmento e rever prioridades internas.

Nem tudo é perda: o sucesso inesperado dos óculos inteligentes

Apesar do encolhimento da Reality Labs, nem todos os projetos da divisão foram afetados pelos cortes. Os times responsáveis pelos óculos inteligentes Ray-Ban Meta ficaram fora da rodada de demissões — e por um bom motivo.

Lançados em 2023, os óculos que combinam câmeras, comandos de voz e recursos de inteligência artificial já venderam mais de dois milhões de unidades. A demanda tem sido tão alta que a Meta chegou a adiar a expansão internacional do produto para priorizar o mercado dos Estados Unidos.

A parceria com a EssilorLuxottica, fabricante da Ray-Ban, também ganhou novo fôlego. A empresa está ampliando sua capacidade produtiva para fabricar até 10 milhões de unidades até o fim de 2026. Em setembro do ano passado, a Meta deu mais um passo ao apresentar os Ray-Ban Display, seus primeiros óculos inteligentes com tela integrada.

Da realidade virtual à IA no dia a dia

Em um comunicado interno que anunciou os cortes, a Meta foi direta ao explicar o reposicionamento. Segundo a empresa, parte do investimento antes destinado ao metaverso será redirecionado para óculos com IA e dispositivos vestíveis, áreas que apresentam maior tração e potencial de adoção no curto prazo.

Não é a primeira vez que a Reality Labs passa por ajustes. Em abril de 2025, a Meta já havia eliminado cargos em sua divisão de software de realidade virtual, a Oculus Studios. Mesmo assim, a empresa ainda lidera o mercado global de headsets de realidade virtual, com cerca de 73% de participação.

Um futuro menos virtual e mais prático

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© Meta.com

Apesar da liderança no setor, a própria Meta reconhece que o futuro imediato não está em ambientes totalmente imersivos, mas em dispositivos mais leves, úteis e integrados à rotina das pessoas. Óculos inteligentes com IA, capazes de oferecer informações em tempo real, registrar imagens e interagir por voz, parecem hoje uma aposta mais concreta do que avatares em mundos digitais.

A trajetória recente da empresa sugere uma lição clara: a tecnologia que vence não é necessariamente a mais ambiciosa, mas a que consegue se encaixar na vida cotidiana. Para a Meta, isso significa trocar o metaverso — ao menos por enquanto — por uma inteligência artificial que caiba no rosto, no bolso e no dia a dia.

 

[ Fonte:  El Mundo ]

 

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