Antes de se tornar ícone da cultura pop, Michael J. Fox viveu um dos períodos mais intensos de sua carreira. No auge do sucesso na TV, ele gravava Family Ties durante o dia e, à noite, viajava no tempo como Marty McFly em De Volta para o Futuro. Quarenta anos depois, o ator revisita esse capítulo em sua nova autobiografia, Future Boy, lançada junto à reestreia do clássico nos cinemas.
Entre sitcoms e viagens no tempo

Em 1985, Fox era o rosto mais popular da televisão americana graças à sitcom Family Ties. Mas o papel que mudaria sua vida surgiu quando foi escalado para viver Marty McFly — o adolescente que viaja no tempo em um DeLorean — em Back to the Future.
Durante meses, o ator viveu uma rotina dupla e exaustiva: filmava o seriado na Paramount até o fim da tarde e, logo depois, seguia direto para os estúdios da Universal para gravar as cenas do filme.
“Não havia diferença entre dia e noite”, escreve Fox. “Passava meus dias em um estúdio sem janelas e minhas noites sob os refletores de Back to the Future. Era como viver em um loop temporal.”
Estilo, fama e o desejo de permanecer autêntico
Fox lembra com carinho do figurino de De Volta para o Futuro: as roupas dos anos 1950, o cabelo engomado com pomada Tenax e o contraste entre os tons vibrantes de 1985 e as cores pastéis do passado.
“Havia algo doce nas cores e nos padrões. Pareciam balas antigas”, recorda.
O sucesso do filme e o salário generoso de Family Ties lhe deram liberdade para se expressar também fora das telas. “Pela primeira vez, eu podia gastar com roupas. Adorava comprar sapatos chamativos”, escreve.
Pouco depois, ele comprou uma casa para os pais em Burnaby, no Canadá — um gesto que, anos depois, protagonizaria uma cena memorável.
Durante uma gala beneficente em Vancouver, Fox decidiu usar um smoking Armani com tênis Converse pretos bordados com caveiras. Seu pai, ao ver o visual, protestou:
“Você não pode usar esses sapatos. É falta de respeito.”
Fox respondeu: “Pai, o importante é que eles querem que eu seja eu mesmo. Esses tênis mostram quem eu sou.”
Para ele, o episódio simbolizava a luta para não perder a identidade em meio ao turbilhão da fama. “Olhar para os meus sapatos naquela noite era um lembrete: nunca devo fingir ser alguém que não sou.”
A travessia que mudou tudo
Nas páginas de Future Boy, o ator descreve com detalhes suas viagens noturnas por Los Angeles — o trajeto entre os estúdios da Paramount e da Universal, atravessando o Cahuenga Pass, trecho lendário da rodovia 101.
Enquanto os holofotes de Hollywood iluminavam o caminho, Fox fazia uma transição simbólica: deixava para trás o estudante certinho Alex Keaton para se transformar no rebelde Marty McFly.
“Era um trajeto curto, mas transformador”, escreve. “Enquanto o carro subia o morro, eu via o letreiro de Hollywood e o observatório de Griffith Park. Era como atravessar um portal no tempo.”
Um legado que continua viajando no tempo

Future Boy é mais do que uma retrospectiva de carreira — é uma reflexão sobre juventude, sucesso e autenticidade. Quatro décadas após o lançamento de De Volta para o Futuro, Michael J. Fox continua inspirando gerações com sua honestidade e humor.
“Estradas?”, cita o ator, ecoando Doc Brown. “Talvez não precisemos delas. Mas, no meu caso, precisei de uma — a que me levou direto ao futuro.”
O livro já está disponível nas livrarias, coincidindo com a celebração dos 40 anos de De Volta para o Futuro e reafirmando o que todos já sabíamos: o tempo pode passar, mas Marty McFly nunca envelhece.