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Tecnologia

Microsoft diz ter encontrado o caminho para a computação quântica comercial: novo chip aumenta a estabilidade dos qubits em até 1.000 vezes

O sonho de construir computadores quânticos capazes de resolver problemas impossíveis para as máquinas atuais pode estar mais próximo do que se imaginava. A Microsoft apresentou seu novo chip Majorana 2 e afirma que o avanço foi tão significativo que permitiu antecipar em seis anos sua previsão para a chegada de computadores quânticos comercialmente viáveis.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Durante décadas, a computação quântica foi tratada como uma promessa revolucionária, mas distante. Embora os avanços tenham sido constantes, desafios técnicos relacionados à estabilidade dos qubits — as unidades fundamentais da informação quântica — continuaram sendo um dos maiores obstáculos para transformar essa tecnologia em uma ferramenta prática.

Agora, a Microsoft acredita ter dado um passo importante nessa direção. Durante a conferência Microsoft Build 2026, realizada para desenvolvedores e parceiros da empresa, a companhia apresentou o Majorana 2, sua nova geração de chips quânticos topológicos. Segundo a gigante de tecnologia, o novo processador aumenta em até mil vezes a estabilidade dos qubits em comparação com seu antecessor e reduz significativamente o prazo previsto para a chegada dos primeiros computadores quânticos comerciais.

O problema que trava a computação quântica

Computadores Quanticos
© Imagem criada por inteligência artificial

Ao contrário dos computadores tradicionais, que utilizam bits representados pelos valores 0 ou 1, os computadores quânticos trabalham com qubits.

Graças às propriedades da mecânica quântica, um qubit pode representar múltiplos estados simultaneamente. Essa característica permite que computadores quânticos executem determinados tipos de cálculos de forma muito mais eficiente do que qualquer supercomputador convencional.

O problema é que esses estados quânticos são extremamente delicados. Vibrações, variações de temperatura e interferências eletromagnéticas podem provocar erros e comprometer os cálculos.

Por isso, aumentar a estabilidade dos qubits tornou-se uma das principais metas da indústria.

O que torna o Majorana 2 diferente

A Microsoft aposta há anos em uma abordagem conhecida como computação quântica topológica.

Em vez de utilizar arquiteturas convencionais, a empresa busca explorar propriedades físicas capazes de proteger naturalmente as informações quânticas contra ruídos externos.

Segundo a companhia, os qubits do Majorana 2 conseguem permanecer estáveis por períodos muito maiores do que os da geração anterior.

No Majorana 1, a vida útil dos qubits era medida em milissegundos. Já no novo chip, a média chega a aproximadamente 20 segundos, podendo alcançar até um minuto em determinadas situações.

Pode parecer pouco à primeira vista, mas, para a computação quântica, trata-se de uma diferença gigantesca.

A empresa afirma que essa evolução permite executar cálculos mais longos, complexos e confiáveis, reduzindo significativamente a necessidade de correções de erro.

O papel da inteligência artificial no desenvolvimento

Quantica America Latina
© Imagem gerada por inteligência artificial – Gizmodo BR

Outro aspecto curioso do projeto foi a participação ativa da inteligência artificial em seu desenvolvimento.

A Microsoft revelou que utilizou sistemas compostos por agentes autônomos de IA, supervisionados por pesquisadores humanos, para acelerar a busca por soluções para desafios de engenharia e ciência dos materiais.

Segundo a companhia, a IA ajudou a identificar mudanças importantes na fabricação do chip.

Uma das decisões mais relevantes foi substituir estruturas baseadas em alumínio por materiais supercondutores que utilizam chumbo. Essa alteração permitiu melhorar significativamente a qualidade e o desempenho dos dispositivos.

De acordo com Chetan Nayak, um dos principais responsáveis técnicos pelo projeto, a mudança representou uma transformação fundamental no processo de fabricação e produziu ganhos expressivos de desempenho.

Computadores quânticos comerciais em 2029?

Talvez a declaração mais ambiciosa feita pela Microsoft tenha sido a revisão de seu cronograma.

Até pouco tempo atrás, a empresa estimava que computadores quânticos comercialmente úteis poderiam surgir por volta de 2035.

Com os resultados obtidos pelo Majorana 2, essa previsão foi antecipada para 2029.

A companhia acredita estar construindo uma arquitetura escalável, capaz de crescer sem que os problemas de estabilidade se tornem incontroláveis. Se esse objetivo for alcançado, os computadores quânticos poderão enfrentar desafios hoje considerados praticamente insolúveis.

Entre as aplicações citadas pela Microsoft estão a descoberta de novos medicamentos, a otimização da produção de alimentos, o desenvolvimento de materiais avançados, a geração de energia mais eficiente e soluções para problemas ambientais complexos.

Uma plataforma de IA para acelerar descobertas científicas

Além do novo chip, a empresa também anunciou a disponibilização do Microsoft Discovery, uma plataforma que utiliza equipes de agentes de inteligência artificial para auxiliar projetos de pesquisa científica.

Segundo a Microsoft, foi justamente essa ferramenta que contribuiu para diversos avanços alcançados durante o desenvolvimento do Majorana 2.

A proposta é permitir que pesquisadores utilizem agentes de IA para conectar conhecimentos de diferentes áreas, como física, química, engenharia e ciência dos materiais, acelerando processos que normalmente levariam anos.

A versão inicial do Microsoft Discovery já está disponível gratuitamente em formato de prévia para usuários do GitHub Copilot.

Embora ainda existam desafios significativos antes que a computação quântica se torne uma realidade cotidiana, o anúncio do Majorana 2 reforça uma tendência cada vez mais evidente: a corrida quântica está acelerando. E, se as previsões da Microsoft se confirmarem, a próxima grande revolução da computação poderá chegar antes do que muitos especialistas imaginavam.

 

[ Fonte: La Razón ]

 

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