Uma viagem internacional liderada por Romeu Zema ao Japão e à China tem rendido frutos significativos para Minas Gerais. Entre anúncios de investimentos milionários e novas parcerias, um projeto em Patos de Minas se destaca e levanta questões sobre a crescente presença asiática no agronegócio brasileiro. Os desdobramentos dessa visita oficial vão além de números — apontam para uma mudança de rota estratégica no estado.
Nova aposta japonesa no agronegócio mineiro

Durante uma visita oficial ao Japão, o governador Romeu Zema anunciou um investimento de R$ 140 milhões que promete movimentar o setor agrícola em Minas Gerais. A multinacional japonesa Sumitomo Corporation confirmou a instalação de uma nova unidade para armazenamento e beneficiamento de sementes de soja em Patos de Minas, no Alto Paranaíba.
O empreendimento será executado pela Agro Amazônia, empresa originalmente fundada em Cuiabá em 1983 e que, desde 2015, pertence ao conglomerado japonês. A expectativa é que as obras sejam finalizadas ainda este ano, com operação plena até o fim de 2026.
O investimento chega em um momento oportuno, ampliando o protagonismo mineiro no cenário exportador. Em 2024, Minas Gerais liderou as exportações brasileiras para o Japão, respondendo por quase 20% do total, com vendas superiores a US$ 1,1 bilhão. Patos de Minas, conhecida pela força do agronegócio, pode ganhar ainda mais relevância nacional e internacional com a nova planta.
Expansão internacional e reforço estratégico
A missão oficial à Ásia teve início na China, onde Zema já havia sinalizado avanços importantes para o estado. Segundo o governador, a viagem resultou na confirmação de um investimento de R$ 200 milhões em uma fábrica de eletrodomésticos no Sul de Minas.
Outro destaque foi a visita às instalações onde estão sendo fabricados os novos trens do metrô de Belo Horizonte. A capital mineira deve receber 24 composições com quatro vagões cada nos próximos meses. Esses trens fazem parte do pacote de modernização do sistema metroviário da cidade, que soma R$ 3,7 bilhões em investimentos, incluindo recursos federais e aportes do acordo de reparação com a mineradora Vale.
Esses movimentos reforçam uma estratégia de diversificação econômica em Minas, com foco em inovação, logística e desenvolvimento sustentável — pilares que atraem o interesse de grandes potências asiáticas.
Cooperação ambiental e tecnológica com o Japão
Em Tóquio, a comitiva mineira se reuniu com representantes da Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica), responsável por projetos de assistência a países em desenvolvimento. O encontro discutiu a possibilidade de colaboração em iniciativas voltadas à recuperação de áreas de pastagem degradadas, com o objetivo de fortalecer práticas agrícolas sustentáveis.
A parceria entre o governo de Minas e a Jica não é recente. Em março, representantes japoneses estiveram em Belo Horizonte para participar de um seminário sobre gestão de desastres naturais, promovido pela Defesa Civil estadual. Essa aproximação reforça a intenção de estabelecer uma cooperação técnica contínua entre os dois países.
Além da Jica, Zema também manteve conversas com os ministros japoneses Fumiaki Kobayashi (Meio Ambiente) e Ogushi Masaki (Economia, Comércio e Indústria). Em pauta, estiveram temas como transição energética, inovação tecnológica e economia de baixo carbono — todos alinhados com as diretrizes de desenvolvimento do estado.
Projeções futuras e conexões estratégicas
A etapa final da missão ocorrerá em Osaka, onde a delegação mineira participará da Expo Osaka e do Brazil Japan Business Forum. Este último evento, organizado pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), busca estreitar laços entre o setor produtivo mineiro e empresários japoneses, ampliando oportunidades de negócios e parcerias estratégicas.
O saldo da viagem aponta para um redesenho das relações comerciais de Minas Gerais, com foco crescente no mercado asiático. As conversas iniciadas com China e Japão revelam um interesse mútuo em setores como agronegócio, infraestrutura, tecnologia e sustentabilidade.
Com projetos concretos já em execução e novos acordos em negociação, Minas se posiciona não apenas como destino de investimentos, mas também como parceiro estratégico de longo prazo. O que começou como uma viagem institucional pode se consolidar como um divisor de águas para o futuro econômico do estado.
[Fonte: Estado de Minas]