Quem convive com gatos já deve ter notado que eles tendem a dormir sempre da mesma forma. Agora, um novo estudo científico lança luz sobre essa preferência aparentemente inofensiva: muitos gatos escolhem deitar sobre o lado esquerdo. Mas o motivo vai muito além do conforto — tem a ver com instinto, reflexos e até neurociência.
Um comportamento observado em centenas de vídeos
O estudo, publicado na revista Current Biology no dia 23, analisou 408 vídeos de gatos dormindo, todos retirados do YouTube. A partir dessa amostra, os pesquisadores constataram que cerca de dois terços dos gatos preferem dormir sobre o lado esquerdo do corpo.
Essa tendência chamou a atenção por se repetir em diferentes raças, idades e contextos domésticos. Segundo os cientistas, trata-se de um comportamento comum e, ao que tudo indica, com raízes evolutivas bem definidas.
Uma vantagem evolutiva ligada à sobrevivência

Nika Benedictova – Unsplash
De acordo com os autores da pesquisa, dormir sobre o lado esquerdo pode ser uma tática de sobrevivência. Isso porque o lado esquerdo do campo visual é processado no hemisfério direito do cérebro — uma região responsável pela percepção espacial, pela detecção de ameaças e pelo controle de movimentos rápidos, como os de fuga ou caça.
Ou seja, ao acordar nessa posição, o gato estaria mais apto a reagir a um possível predador ou a identificar uma presa com mais eficiência. Essa assimetria cerebral, também presente em outros animais, é conhecida como lateralização.
O cérebro dos gatos está sempre pronto
O estudo explica que, ao deitar sobre o lado esquerdo, o gato mantém o hemisfério direito do cérebro em estado de alerta. Assim, qualquer estímulo visual captado do lado esquerdo do ambiente é imediatamente processado por essa parte do cérebro, que é mais ágil na tomada de decisões motoras e defensivas.
“Dormir sobre o lado esquerdo pode, portanto, ser uma estratégia de sobrevivência”, escreveram os pesquisadores. Isso significa que o instinto felino está sempre ativo, mesmo em momentos de aparente relaxamento.
Ainda há mais a descobrir
Embora o estudo aponte uma explicação convincente para o comportamento, os autores reforçam que essa é apenas uma hipótese baseada em padrões observados. Fatores como temperatura do ambiente, posição da luz, interação com humanos e até o formato do local de descanso também podem influenciar a escolha dos gatos.
“Embora essa descoberta seja passível de debate, ela oferece uma excelente oportunidade para estudar o surgimento de assimetrias em nível populacional e entender melhor a natureza de um de nossos animais de estimação favoritos”, concluem os pesquisadores.
[ Fonte: CNN Brasil ]