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Ciência

Moléculas misteriosas em Marte reacendem a pergunta: houve vida no planeta vermelho?

A NASA detectou três moléculas orgânicas complexas em uma amostra marciana, reacendendo a hipótese de vida passada em Marte. Embora não sejam provas conclusivas, a complexidade e resistência dos compostos impressionam os cientistas e apontam para uma nova era na busca por sinais biológicos fora da Terra.
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Tempo de leitura: 3 minutos

 Após mais de uma década de análises e escavações, a NASA revelou uma descoberta que pode transformar nossa compreensão sobre Marte. Três moléculas orgânicas complexas, similares às associadas à vida na Terra, foram encontradas em uma antiga rocha marciana. O achado reacende uma das perguntas mais fascinantes da exploração espacial: já houve vida em Marte?

Um achado inesperado em uma amostra esquecida

Tudo começou em 2013, quando o rover Curiosity perfurou uma rocha no local conhecido como Bahia Yellowknife, dentro da cratera Gale. A amostra, chamada Cumberland, ficou parcialmente armazenada por anos até que a cientista francesa Caroline Freissinet decidiu revisitar os dados.

Utilizando um modelo terrestre do laboratório SAM (Sample Analysis at Mars), embarcado no robô, Freissinet reanalisou os gases liberados da amostra aquecida e identificou três compostos orgânicos complexos: decano, undecano e dodecano — alcanos de cadeia longa compostos por carbono e hidrogênio.

Por que essas moléculas são tão importantes?

Esses compostos químicos são chamados alcanos de cadeia longa e, na Terra, estão ligados a processos biológicos, especialmente à formação de ácidos graxos, blocos estruturais de membranas celulares. A presença deles em Marte representa a detecção mais complexa de matéria orgânica já feita no planeta.

Embora não sejam provas definitivas de vida, a descoberta é um marco: pela primeira vez foram encontrados compostos com mais de dez átomos de carbono em Marte, algo surpreendente considerando a intensa radiação e as condições químicas que normalmente destroem moléculas orgânicas no planeta vermelho.

Vida ou processo abiótico?

A pergunta que intriga os cientistas é: essas moléculas têm origem biológica ou foram formadas por processos não vivos?
Enquanto alguns defendem que a leve predominância de compostos com número par de carbonos pode indicar um padrão biológico, outros alertam que reações entre água, minerais ou até meteoritos também podem gerar essas substâncias.

Especialistas como Eva Scheller, do MIT, lembram que meteoritos primitivos carregam ácidos graxos sem qualquer ligação com a vida. Portanto, a ambiguidade persiste. Mas mesmo diante da incerteza, o grau de complexidade dos compostos encontrados é um forte indicativo de que vale continuar investigando.

Uma rocha, muitas pistas

A amostra Cumberland não foi escolhida por acaso. A região onde foi coletada apresenta minerais argilosos, azufre, nitratos e até vestígios de metano — todos considerados marcadores de habitabilidade. A presença desses elementos aumenta as chances de que a área tenha abrigado vida há bilhões de anos, quando era o fundo de um lago.

O laboratório SAM, mesmo com suas limitações técnicas, confirmou que os compostos encontrados não foram causados por contaminação terrestre, lubrificantes ou solventes da própria sonda. Experimentos de controle feitos na Terra só replicaram os gases quando ácidos carboxílicos foram adicionados — reforçando a autenticidade do achado.

O que vem agora?

A boa notícia é que metade da amostra de Cumberland ainda está intacta. Freissinet e sua equipe planejam um novo ciclo de análises para buscar mais alcanos, inclusive de cadeias menores. Um padrão consistente poderia representar o indício mais forte até hoje de processos biológicos fora da Terra.

Enquanto isso, o rover Curiosity continua sua lenta jornada pelas encostas do Monte Sharp, mesmo com sua fonte de energia nuclear se esgotando. Cada novo dado pode ser crucial. E ao longe, o robô Perseverance coleta amostras que, em futuras missões, poderão ser trazidas à Terra para análises mais precisas.

Um passo mais perto da resposta

Embora os três alcanos não provem a existência de vida em Marte, eles representam o mais forte indício químico até agora. Uma molécula resistente, enterrada sob o solo marciano por bilhões de anos, conseguiu sobreviver às condições extremas — e agora, conta uma história que ainda está sendo decifrada.

 

Fonte: Infobae

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