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Ciência

Mortes por doenças cardiovasculares podem crescer 10,8% no Brasil até 2030, aponta projeção

Projeção indica aumento de 10,8% nas mortes por doenças cardiovasculares no Brasil até 2030. Envelhecimento da população e fatores de risco reforçam a necessidade de prevenção.
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Tempo de leitura: 3 minutos

As doenças cardiovasculares, responsáveis por uma parcela expressiva das mortes no Brasil, podem representar um desafio ainda maior nos próximos anos. Uma projeção divulgada pelo InfoMoney aponta que o número de óbitos associados a essas enfermidades deve crescer 10,8% até 2030. O cenário chama a atenção para a importância do diagnóstico precoce, do controle da pressão arterial e de hábitos que ajudam a proteger o coração.

Por que as mortes cardiovasculares podem aumentar?

O envelhecimento da população brasileira é um dos fatores que ajudam a explicar a tendência de crescimento das mortes por doenças cardiovasculares.

Com o avanço da idade, aumenta a probabilidade de desenvolver condições como hipertensão, doença arterial coronariana e insuficiência cardíaca.

Entretanto, o problema não está relacionado apenas à idade. Sedentarismo, alimentação com excesso de sódio, tabagismo, diabetes e colesterol elevado também contribuem para o risco cardiovascular.

Esses fatores podem se acumular ao longo de décadas, muitas vezes sem provocar sintomas evidentes.

A projeção de aumento de 10,8%, destacada em reportagem do InfoMoney, reforça a necessidade de ampliar as estratégias de prevenção e acompanhamento da população.

É importante distinguir o crescimento do número absoluto de mortes de um eventual aumento do risco individual: uma população maior e mais envelhecida pode registrar mais óbitos mesmo quando as taxas ajustadas por idade apresentam outra trajetória.

Infarto e AVC estão entre as principais ameaças

Mortes por doenças cardiovasculares podem crescer 10,8% no Brasil até 2030, aponta projeção
© Anna Shvets – Pexels

As doenças cardiovasculares incluem diferentes condições que afetam o coração e os vasos sanguíneos.

Entre as mais conhecidas estão o infarto agudo do miocárdio e o acidente vascular cerebral (AVC), que podem provocar consequências graves e exigir atendimento imediato.

O infarto ocorre quando o fluxo de sangue para parte do músculo cardíaco é interrompido. Já o AVC pode acontecer por obstrução ou rompimento de um vaso sanguíneo no cérebro.

Embora os mecanismos sejam diferentes, ambas as condições compartilham fatores de risco importantes, como hipertensão, diabetes e tabagismo.

A Organização Mundial da Saúde considera as doenças cardiovasculares a principal causa de morte no planeta, destacando que uma parcela significativa desses eventos pode ser evitada com medidas preventivas.

Brasil já registra mais de mil mortes por dia

O levantamento da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), desenvolvido em parceria com a World Heart Federation, estima que os óbitos anuais possam passar de 417.550, em 2024, para 462.573 em 2030.

Até 16 de outubro de 2026, o Cardiômetro da SBC contabilizava 318.945 mortes no país, uma média de aproximadamente 1.194 por dia.

Apesar desses números, existe um dado positivo: a taxa de mortalidade cardiovascular caiu 36% entre 2000 e 2024, passando de 306,4 para 195 mortes por 100 mil habitantes.

Isso mostra que a projeção de aumento no total de óbitos não significa necessariamente uma piora generalizada do risco individual.

Alagoas apresenta a maior taxa de mortalidade

O levantamento também revela diferenças importantes entre os estados brasileiros.

Alagoas registra a maior taxa, com 245,5 mortes cardiovasculares por 100 mil habitantes. Em seguida aparecem Amapá, com 225,1, e Mato Grosso do Sul, com 220,4.

Essas desigualdades reforçam a importância de políticas de saúde adaptadas às necessidades regionais.

A nova plataforma da SBC reúne dados históricos e projeções para auxiliar pesquisadores, profissionais de saúde e gestores públicos.

Como reduzir o risco de doenças cardiovasculares?

Mortes por doenças cardiovasculares podem crescer 10,8% no Brasil até 2030, aponta projeção
© Thirdman – Pexels

A prevenção envolve medidas conhecidas, mas que precisam ser mantidas ao longo da vida.

Controlar a pressão arterial, acompanhar os níveis de colesterol e glicose, praticar atividades físicas regularmente e evitar o tabagismo são atitudes fundamentais.

Uma alimentação equilibrada, com menor consumo de sal e alimentos ultraprocessados, também contribui para a saúde cardiovascular.

Além disso, reconhecer rapidamente sintomas como dor intensa no peito, falta de ar repentina ou sinais de AVC pode fazer diferença no atendimento de emergência.

A projeção para 2030 não representa um destino inevitável. O avanço da prevenção, do diagnóstico e do tratamento pode modificar a trajetória das mortes cardiovasculares no Brasil.

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