Há cerca de 252 milhões de anos, uma crise devastou os ecossistemas terrestres e marinhos. A extinção do Permiano-Triássico, conhecida como Grande Mortandade, ocorreu em meio a um intenso aquecimento associado ao vulcanismo na Sibéria. Entretanto, uma questão intrigava os cientistas: por que as condições extremas persistiram durante aproximadamente cinco milhões de anos? Uma pesquisa aponta para a destruição das florestas tropicais como parte central dessa explicação.
O desaparecimento das florestas mudou o ciclo do carbono

Liderado por pesquisadores da Universidade de Leeds e da Universidade de Geociências da China, o estudo relaciona a perda da vegetação à dificuldade de retirar dióxido de carbono da atmosfera.
Os resultados foram publicados em julho de 2025 na revista Nature Communications. A equipe reuniu registros fósseis de plantas e informações geológicas para reconstruir mudanças na vegetação durante a crise.
Naquele período, os continentes formavam o supercontinente Pangeia. O desaparecimento de grandes áreas florestais reduziu a capacidade dos ecossistemas de armazenar carbono e modificou processos que ajudam a regular o clima em escalas geológicas.
Assim, o aquecimento contribuiu para destruir a vegetação, enquanto a perda dessa vegetação dificultou o resfriamento posterior. Esse mecanismo de amplificação ajuda a explicar a longa duração do chamado superestufa do Triássico Inicial.
As plantas participam da regulação do clima

As florestas retiram CO₂ do ar pela fotossíntese e armazenam carbono na vegetação e nos solos. Uma parcela da matéria orgânica também pode ser preservada em sedimentos, mantendo esse carbono fora da atmosfera por períodos prolongados.
As raízes e os organismos do solo ainda influenciam o intemperismo, processo de alteração das rochas que participa do ciclo do carbono. Portanto, a função climática das plantas vai além do crescimento de folhas e troncos.
Isso não significa que todos os mecanismos de remoção de CO₂ tenham parado completamente após a extinção. A conclusão é que a transformação dos ecossistemas enfraqueceu processos importantes o suficiente para prolongar o desequilíbrio.
Fósseis e simulações ajudam a reconstruir o passado
Conforme a Universidade de Leeds explica sobre a pesquisa, os cientistas combinaram evidências paleontológicas, indicadores de condições climáticas antigas e simulações.
Os registros permitiram elaborar mapas das mudanças na produtividade vegetal. Depois, a equipe investigou se a redução do sequestro de carbono era compatível com o aquecimento observado nas evidências geológicas.
Os resultados sustentaram essa relação. A recuperação lenta das florestas teria limitado a remoção de carbono e contribuído para manter concentrações elevadas de CO₂ durante milhões de anos.
Outro estudo examina um futuro supercontinente

Uma pesquisa diferente, publicada em 2023 na Nature Geoscience, investigou condições possíveis daqui a aproximadamente 250 milhões de anos.
Nesse cenário, os continentes se reuniriam em uma massa chamada Pangeia Última. Maior intensidade solar, mudanças nas emissões naturais de CO₂ e temperaturas extremas no interior continental poderiam tornar grandes áreas hostis aos mamíferos.
Trata-se de uma projeção condicionada às hipóteses do modelo, e não de uma data confirmada para uma futura extinção. O trabalho também não corresponde a uma previsão do aquecimento provocado pela humanidade neste século.
A relação entre os dois estudos está na interação entre geografia, atmosfera e vida. O episódio do Permiano-Triássico mostra que a destruição de ecossistemas pode alterar a trajetória do clima. Preservar florestas significa também proteger processos naturais cuja recuperação, após grandes rupturas, pode exigir muito mais tempo do que uma sociedade humana consegue esperar.