A promessa é sedutora: uma plataforma de mensagens seguras, com criptografia, chamadas de vídeo, envio de qualquer tipo de arquivo e mensagens que desaparecem. É assim que Elon Musk apresenta o novo XChat, sua tentativa de competir com aplicativos como Signal e Telegram. Mas será que essa nova ferramenta é tão segura quanto ele diz — ou apenas mais uma jogada de marketing?
O que é o XChat, afinal?
Segundo Musk, o XChat vai substituir o atual sistema de mensagens diretas do X e será liberado inicialmente para um grupo limitado de usuários, com expansão prevista para os próximos dias. Entre os recursos prometidos estão:
Criptografia de ponta a ponta
Mensagens temporárias
Chamadas de vídeo e áudio
Envio de qualquer tipo de arquivo
Musk afirma que o sistema foi construído com a linguagem Rust e utiliza uma arquitetura completamente nova baseada em “criptografia estilo Bitcoin” — uma descrição que chamou atenção… por não fazer sentido técnico.
Criptografia estilo Bitcoin: o que isso quer dizer?
O problema está na própria base da propaganda: não existe criptografia “estilo Bitcoin” aplicável a mensagens privadas. Bitcoin usa criptografia para autenticação de transações, mas essas transações são públicas por design — o oposto do que se espera de um app de mensagens seguras.
Ao que tudo indica, Musk usou o termo para soar inovador ou técnico, mas a comunidade especializada recebeu com ceticismo. A própria página de apresentação do XChat fala em “criptografia de ponta a ponta”, o que seria mais coerente com os padrões de privacidade usados por apps como Signal, mas ainda não há confirmação de quais protocolos realmente estão implementados.
Um histórico que não inspira confiança
Mesmo que o XChat entregue a criptografia prometida, há outro fator preocupante: o histórico de Elon Musk com a segurança digital dos usuários do X.
Desde que assumiu a plataforma, Musk:
Removeu o 2FA por SMS para usuários gratuitos, limitando a autenticação em dois fatores apenas a assinantes;
Restringiu o número de mensagens para usuários não pagantes, alegando combate ao spam;
Atendeu à maioria dos pedidos de dados feitos por governos, segundo relatórios de transparência;
Desativou o envio de novas mensagens criptografadas no sistema antigo, forçando a migração para o XChat.
Tudo isso levanta dúvidas sobre o compromisso real da plataforma com a privacidade dos usuários, especialmente os que não pagam pela versão Premium.
Competição com o Signal ou mais do mesmo?
Musk já havia tentado introduzir criptografia nas DMs anteriormente, mas de forma limitada — disponível apenas para usuários verificados que pagam US$ 8 por mês. Na época, a criptografia nem era de ponta a ponta.
Agora, ele afirma que o XChat é “para valer”. A questão é: o XChat conseguirá competir com plataformas verdadeiramente seguras como o Signal? Até agora, a falta de clareza técnica e a forma confusa de comunicação não inspiram confiança.
O caso lembra o TeleMessage, uma versão personalizada do Signal usada por membros do governo dos EUA — até ser hackeada. E isso, claro, não é exatamente o selo de segurança que Musk gostaria de ter associado ao seu produto.
Considerações finais: promessa ou propaganda?
O XChat pode representar um avanço nas ferramentas do X, mas a ausência de informações técnicas claras, o uso de jargões imprecisos e o histórico de decisões questionáveis sobre privacidade tornam difícil aceitar as promessas de Musk sem cautela.
Enquanto isso, usuários preocupados com segurança real provavelmente continuarão confiando em aplicativos testados e transparentes como Signal, em vez de apostar em mais uma ideia de Elon ainda em versão beta.