Pular para o conteúdo
Notícias

Nova Proposta no Senado Pode Mudar o Jogo Político do Brasil – Mas a Um Preço Alto

Um projeto prestes a ser votado pode alterar profundamente a composição da Câmara dos Deputados. A proposta atende a uma exigência do STF, mas vai além do previsto, gerando debate sobre representatividade, gastos públicos e interesses regionais. Entenda o que está em jogo e quais estados serão beneficiados.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

 A contagem populacional recente está obrigando o Congresso a repensar a distribuição de poder político no país. O Senado se prepara para votar uma proposta que aumenta o número de deputados federais, uma solução que evita a perda de cadeiras em estados atualmente favorecidos, mas que levanta questionamentos sobre constitucionalidade e impacto financeiro.

Proposta amplia número de deputados

O projeto que deve ser votado no Senado nesta quarta-feira (12) propõe aumentar de 513 para 531 o total de deputados federais. A medida, aprovada pela Câmara em maio, visa atender uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), que exige a atualização da representação parlamentar com base no Censo Demográfico de 2022.

A decisão do STF, no entanto, previa apenas a redistribuição das cadeiras entre os estados, mantendo o número total de parlamentares. O projeto do Congresso vai além, criando 18 novas vagas para evitar que estados atualmente com mais deputados do que sua população justifica percam representação.

Quem ganha com a mudança

Segundo o texto aprovado na Câmara e que agora será analisado pelos senadores, nenhum estado perderá vagas. Em vez disso, nove estados serão beneficiados com mais deputados, o que pode alterar o equilíbrio político da Câmara. São eles:

  • Amazonas (+2)

  • Ceará (+1)

  • Goiás (+1)

  • Minas Gerais (+1)

  • Mato Grosso (+2)

  • Pará (+4)

  • Paraná (+1)

  • Rio Grande do Norte (+2)

  • Santa Catarina (+4)

Esses aumentos refletem o crescimento populacional dessas regiões. O relator do projeto, deputado Damião Feliciano (União-PB), justificou que retirar cadeiras de estados que hoje estão sobrerrepresentados geraria perda de influência política e afetaria repasses federais.

Impacto nos cofres públicos

A Direção-Geral da Câmara dos Deputados calcula um custo adicional de R$ 64,6 milhões por ano para manter as 18 novas vagas. Esse valor inclui salários, benefícios e estrutura de gabinete dos parlamentares.

Apesar disso, o relator do projeto afirma que o orçamento do Legislativo pode absorver esse aumento sem comprometer outras despesas. Ainda assim, o gasto extra gerou críticas de especialistas e setores da sociedade, especialmente em um cenário de pressão por austeridade fiscal.

Alternativa à ação do TSE

Desde 1994, o número de deputados federais tem como base o Censo de 1985. Apesar de censos posteriores, a distribuição nunca foi atualizada. Em 2023, o STF determinou que a distorção fosse corrigida até 30 de junho de 2025, com base no princípio da proporcionalidade populacional previsto na Constituição.

Caso o Congresso não aprove novas regras dentro do prazo, caberá ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fazer a redistribuição das cadeiras. Isso poderia levar à perda de vagas em sete estados, incluindo Paraíba, Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro.

O novo projeto evita esse cenário ao simplesmente criar mais cadeiras, preservando a representação atual dos estados e acomodando os crescimentos populacionais regionais.

Uma solução polêmica

A proposta tenta conciliar a exigência do STF com os interesses dos parlamentares, mas abre um debate sobre os limites da representatividade, os custos do Legislativo e a fidelidade à Constituição. Com o prazo se esgotando, o Senado terá que decidir entre manter o equilíbrio político atual com um custo extra, ou seguir à risca a decisão do STF — ainda que isso signifique perda de poder para alguns estados.

 

[ Fonte: g1.globo ]

 

Partilhe este artigo

Artigos relacionados