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O impasse bilionário entre Trump e Musk que ameaça o futuro dos carros elétricos nos EUA

A disputa entre Donald Trump e Elon Musk colocou a Tesla no centro de uma turbulência política e econômica. O corte de incentivos aos veículos elétricos e o embate com a Califórnia podem gerar prejuízos bilionários e afetar o avanço da mobilidade sustentável nos Estados Unidos.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O que era apenas uma tensão entre interesses políticos e econômicos se transformou em um verdadeiro confronto entre o presidente Donald Trump e o bilionário Elon Musk. No centro da crise está o futuro dos carros elétricos nos EUA, que pode sofrer um revés com a eliminação de incentivos fiscais e novas taxações. A Tesla, maior fabricante do setor, é a principal afetada — e o embate promete gerar grandes repercussões.

 

O que está em jogo com o fim do “decreto dos elétricos”

A disputa entre Donald Trump e Elon Musk colocou a Tesla no centro de uma turbulência.
© X/@theluisribeiro

Chamado por Trump de “EV mandate”, o conjunto de medidas aprovado na nova lei orçamentária reduz drasticamente os incentivos para a compra de veículos elétricos. Criados durante o governo Biden, os benefícios chegavam a US$ 7.500 em abatimento no imposto de renda para compradores de carros elétricos produzidos nos EUA.

A nova legislação antecipa o fim desse programa: os incentivos deixam de existir já em dezembro de 2025, sete anos antes do previsto. Para piorar, o governo introduziu uma taxa anual de US$ 250 para donos de elétricos e US$ 100 para híbridos, alegando que esses motoristas deixam de pagar impostos sobre combustíveis fósseis.

Tesla na linha de tiro

A Tesla, que domina 54% do mercado de carros elétricos nos EUA, é especialmente vulnerável à mudança. Sem veículos a combustão para equilibrar perdas e com alta dependência dos subsídios, a empresa de Musk pode perder até US$ 1,2 bilhão com o novo cenário, segundo o JPMorgan.

E se Trump seguir adiante e sancionar também a anulação do programa ambiental da Califórnia, esse prejuízo pode ultrapassar os US$ 3 bilhões. Isso sem contar o impacto no valor de mercado: só no dia 5 de junho, as ações da Tesla caíram 14%, gerando uma perda de quase US$ 150 bilhões.

 

Califórnia vs. Congresso: a batalha dos créditos de carbono

A situação se agrava com o ataque a uma política estadual da Califórnia que, há anos, impõe metas de emissão rígidas para veículos vendidos no estado. A intenção é banir gradualmente carros a combustão até 2035, o que beneficia diretamente empresas como a Tesla, que lucram com a venda de créditos de carbono.

Em maio, senadores republicanos formaram maioria para derrubar essa política, alegando que a Califórnia interfere em decisões que afetam outros estados. O impacto direto: Tesla pode perder até US$ 2,4 bilhões gerados por esses créditos em 2024. O caso ainda aguarda decisão presidencial e poderá parar na Suprema Corte, já que a Califórnia promete recorrer.

 

Política, escândalos e riscos tecnológicos

O embate entre Musk e Trump extrapola os carros elétricos. O clima esquentou após Musk se afastar politicamente do ex-presidente e, ao mesmo tempo, se envolver em escândalos e acusações que irritaram parte do eleitorado conservador.

Agora, analistas temem que Trump, em caso de retorno ao poder, possa retaliar Musk com mudanças em leis estratégicas, como as que regulam testes com veículos autônomos. Para a Tesla, que aposta pesado nessa tecnologia para manter sua relevância, essa ameaça pode ser devastadora.

Segundo a consultoria GLJ Research, qualquer restrição aos testes de carros autônomos daria vantagem aos concorrentes chineses, especialmente no mercado global. “Isso seria um golpe duríssimo para a Tesla e para Musk”, afirmou o analista Gordon Johnson à ABC News.

 

O futuro da mobilidade (e da Tesla) em jogo

A crise entre Trump e Musk representa mais do que uma disputa pessoal. Trata-se de um capítulo decisivo na trajetória dos carros elétricos nos EUA. A redução de incentivos, o fim de programas estaduais e o risco de mudanças regulatórias afetam diretamente a viabilidade econômica da transição energética no país.

E enquanto o embate se desenrola, a Tesla enfrenta a maior turbulência dos últimos anos — em um momento em que sua liderança global já vinha sendo ameaçada por empresas chinesas como BYD e Nio. Se a política continuar guiando o volante da inovação, o setor automotivo norte-americano pode perder a dianteira nessa corrida.

 

[ Fonte: UOL Brasil ]

 

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