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Ciência

Novas imagens de Marte revelam cores que quase nunca aparecem nas fotos do planeta

Novas imagens da região polar de Marte mostram um cenário muito diferente do habitual vermelho marciano, com cores e formações que ajudam a reconstruir a história do planeta.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Quando pensamos em Marte, quase sempre imaginamos o mesmo cenário: uma paisagem árida, coberta por tons avermelhados e alaranjados. Afinal, não é por acaso que ele ganhou o apelido de Planeta Vermelho. Mas novas imagens de uma região próxima ao polo sul mostram que essa descrição está longe de contar toda a história. Entre grandes paredões, gelo, poeira e rochas vulcânicas, Marte começa a revelar uma paleta surpreendentemente diferente.

O Planeta Vermelho esconde uma paisagem muito mais colorida

O vermelho característico de Marte está relacionado principalmente à presença de óxidos de ferro na superfície. Esses compostos ajudam a criar os tons avermelhados, ocres e marrons que dominam fotografias do planeta.

Mas basta observar algumas regiões com mais atenção para perceber que a superfície marciana está longe de ser monocromática.

Novas imagens da região polar sul mostram áreas com tonalidades que variam entre violeta, rosa e azul. O cenário aparece nas proximidades de Thyles Rupes, uma enorme escarpa cujos paredões ultrapassam um quilômetro de altura.

As cores não são simplesmente um efeito artístico ou uma peculiaridade das imagens. Elas estão relacionadas à combinação de diferentes materiais presentes na superfície, às condições atmosféricas e à maneira como a luz solar interage com o terreno.

Algumas das áreas mais escuras, por exemplo, estão associadas a materiais vulcânicos ricos em minerais como olivina e piroxênio. Esses minerais também são encontrados na Terra, especialmente em regiões relacionadas ao manto terrestre.

Sua presença em Marte ajuda os pesquisadores a investigar a composição das antigas rochas vulcânicas e, consequentemente, a reconstruir parte da evolução geológica do planeta.

Mas há outro ingrediente importante nesse cenário — e ele aparece principalmente nas áreas próximas ao polo sul.

O gelo também muda completamente a aparência do terreno

Nas proximidades do polo sul marciano, o dióxido de carbono pode congelar e formar depósitos sobre a superfície. Diferentemente do gelo de água que conhecemos na Terra, grande parte desse material é composta por CO₂ congelado.

A região possui uma camada de gelo permanente, que nunca desaparece completamente. Sobre ela, entretanto, forma-se uma cobertura sazonal de dióxido de carbono durante o inverno marciano.

Quando as temperaturas aumentam, parte dessa camada desaparece novamente.

A combinação entre gelo, escarcha, poeira e partículas presentes na superfície interfere na maneira como a luz é refletida. É justamente essa mistura que ajuda a produzir parte das tonalidades incomuns observadas nas imagens.

A iluminação também tem um papel importante. Dependendo da posição do Sol e das condições atmosféricas no momento em que uma região é fotografada, o mesmo terreno pode apresentar uma aparência bastante diferente.

Por isso, as imagens não servem apenas para produzir paisagens marcianas visualmente impressionantes. Elas também oferecem pistas sobre os materiais existentes na superfície e sobre os processos que continuam modificando sua aparência.

E há mais um elemento em ação naquele cenário: o vento.

O vento desenha formas que contam outra parte da história

A superfície próxima a Thyles Rupes também apresenta estruturas formadas pelo deslocamento de areia e poeira.

Os ventos marcianos podem criar dunas e outras formações, mas nem sempre produzem os desenhos regulares observados em algumas áreas do planeta. Entre as estruturas encontradas estão as chamadas cristas barcanoides, relacionadas às dunas barcanas presentes em determinados desertos terrestres.

Essas formas podem ajudar os pesquisadores a entender a direção dos ventos e a maneira como eles atuaram sobre a superfície ao longo do tempo.

Thyles Rupes acrescenta ainda outra peça ao quebra-cabeça.

A enorme escarpa se estende por centenas de quilômetros e levanta questões sobre a evolução da crosta marciana. Na Terra, muitas grandes cadeias montanhosas estão ligadas ao movimento das placas tectônicas. Marte, porém, não possui atualmente uma tectônica de placas ativa comparável à terrestre.

Uma das hipóteses é que estruturas desse tipo estejam relacionadas ao resfriamento do interior do planeta. Conforme Marte perdeu calor ao longo de sua história, sua crosta teria passado por processos de contração e deformação capazes de elevar determinadas regiões.

Missões como Mars Express e Mars Reconnaissance Orbiter permitem observar essas estruturas em detalhes cada vez maiores.

O resultado é um retrato de Marte muito mais complexo do que aquele sugerido pelo seu apelido. O planeta é, sim, vermelho em muitas regiões. Mas também pode ser roxo, rosa, azul e apresentar uma enorme variedade de texturas.

Essas cores não são apenas uma curiosidade visual: são pistas deixadas por minerais, gelo, poeira, vento e bilhões de anos de transformação geológica. O chamado Planeta Vermelho, afinal, guarda uma história bem mais colorida do que parece.

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