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Ciência

O abismo oculto sob o gelo: revelado o ponto mais profundo da Terra na Antártida

Pesquisadores identificaram que o lugar mais profundo do planeta não está no Mar Morto, mas enterrado sob quilômetros de gelo antártico. O achado, feito no glaciar Denman, redefine a geografia mundial e acende alertas sobre a estabilidade do continente gelado e o futuro climático da Terra.
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Tempo de leitura: 2 minutos

A Antártida sempre foi um território de mistérios, com vastas camadas de gelo escondendo paisagens invisíveis ao olhar humano. Agora, graças a um novo mapa científico, surge uma revelação surpreendente: o ponto mais profundo do planeta encontra-se sob o gelo do glaciar Denman. Essa descoberta não apenas ressignifica a geografia global, mas também traz implicações diretas para o aumento do nível do mar e para a crise climática que já enfrentamos.

Um mapeamento que muda a história

O projeto BedMachine Antarctica, liderado pelo glaciólogo Mathieu Morlighem, da Universidade da Califórnia, revolucionou o estudo do continente austral. Em vez de depender apenas de radares aéreos, os cientistas integraram milhões de quilômetros de dados históricos com medições de velocidade do gelo e levantamentos batimétricos coletados pela NASA. O resultado foi o mapa mais detalhado já produzido do leito antártico.

Publicado na revista Nature Geoscience, o estudo revelou um território subterrâneo composto por cordilheiras e cânions até então desconhecidos. Entre eles, o glaciar Denman se destacou como a região mais impressionante do planeta em termos de profundidade.

Glaciar Denman1
© Cindy Starr / NASA

Denman: o mergulho no ponto mais profundo

O levantamento mostrou que o cânion localizado sob o glaciar Denman atinge 3.500 metros abaixo do nível do mar — quase dez vezes mais fundo que o Mar Morto, que está a 395 metros abaixo do nível do mar. Mais do que um recorde geográfico, esse abismo estreito atua como uma via que direciona o fluxo de enormes massas de gelo para o oceano.

Segundo os especialistas, qualquer alteração significativa no equilíbrio de Denman pode liberar quantidades colossais de água no mar, com impactos diretos sobre cidades costeiras em todo o mundo.

O futuro instável das geleiras

O mapa também identificou cadeias montanhosas que funcionam como barreiras naturais em algumas áreas, ajudando a conter parte do gelo. No entanto, em glaciares como Thwaites e Pine Island, a topografia indica alta vulnerabilidade. Com o aquecimento global acelerando, essas geleiras podem recuar rapidamente, desencadeando elevações catastróficas no nível do mar.

Os cientistas reforçam que esse avanço é apenas o início: compreender a interação entre as profundezas invisíveis da Antártida e o clima global será essencial para prever mudanças que afetarão correntes oceânicas, ecossistemas e populações humanas em escala planetária.

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