O cinema brasileiro vive um momento decisivo na temporada de premiações internacionais. A Academia Brasileira de Cinema divulgou, nesta quinta-feira (14), as 16 produções habilitadas a concorrer a uma vaga como representante do Brasil no Oscar 2026, na categoria de Melhor Filme Internacional. Entre elas, um título se destaca: “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, que brilhou em Cannes ao conquistar os prêmios de melhor direção e melhor ator para Wagner Moura.
Aclamado em Cannes

“O Agente Secreto” narra a história de um professor que, em plena ditadura militar, é forçado a fugir para Recife em busca de sobrevivência. O longa vem acumulando prêmios desde sua estreia em maio, quando recebeu duas das principais honrarias em Cannes, e vem sendo apontado como o grande favorito da seleção brasileira.
O prestígio internacional de Wagner Moura, já consolidado em Hollywood com papéis em produções como Civil War (2024), Elysium (2013) e, principalmente, sua marcante interpretação de Pablo Escobar em Narcos, fortalece ainda mais a campanha. Para críticos brasileiros, a combinação entre relevância histórica, impacto político e reconhecimento artístico dá ao filme vantagem na disputa.
O processo de escolha
Das 16 produções inscritas, seis serão selecionadas para a fase final, a ser anunciada no dia 8 de setembro. A decisão sobre qual longa representará oficialmente o Brasil no Oscar 2026 será divulgada no dia 15 de setembro.
A lista divulgada pela Academia Brasileira de Cinema inclui nomes de peso e diversidade de estilos. Entre os concorrentes estão “A Melhor Mãe do Mundo”, de Anna Muylaert; “A Praia do Fim do Mundo”, de Petrus Cariry; “Baby”, de Marcelo Caetano; “Homem com H”, de Esmir Filho; “Kasa Branca”, de Luciano Vidigal; “Malu”, de Pedro Freire; e “Manas”, de Marianna Brennand.
Também concorrem “Milton Bituca Nascimento”, de Flavia Moraes; “O Filho de Mil Homens”, de Daniel Rezende; “O Último Azul”, de Gabriel Mascaro; “Oeste Outra Vez”, de Erico Rassi; “Os Enforcados”, de Fernando Coimbra; “Retrato de um Certo Oriente”, de Marcelo Gomes; “Um Lobo entre os Cisnes”, de Marcos Schechtman e Helena Varvaki; e “Vitória”, de Andrucha Waddington.
O rival mais forte
Embora “O Agente Secreto” seja considerado favorito, há competidores de peso. O destaque vai para “O Último Azul”, de Gabriel Mascaro, vencedor do segundo maior prêmio do Festival de Berlim. O longa acompanha a jornada de uma idosa pela Amazônia em um futuro distópico no qual o governo envia seus idosos para supostas colônias. A força dramática e o reconhecimento internacional tornam a produção um dos principais rivais de Mendonça Filho.
O desafio de manter o protagonismo
O filme escolhido enfrentará a difícil missão de suceder “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, que em 2025 entrou para a história do cinema nacional ao conquistar o Oscar de Melhor Filme Internacional. O longa também foi indicado a Melhor Filme e Melhor Atriz, com Fernanda Torres no papel principal — um feito inédito para o Brasil.
Agora, a expectativa é se o país conseguirá manter o protagonismo na temporada de premiações. Caso “O Agente Secreto” seja confirmado, o Brasil pode chegar ao Oscar com duas vitórias consecutivas, consolidando uma nova fase de prestígio para o cinema nacional.
Kleber Mendonça Filho e a força do cinema político
Diretor de obras como Aquarius (2016) e Bacurau (2019), Kleber Mendonça Filho construiu uma filmografia marcada pela crítica social e pelo olhar político sobre o Brasil contemporâneo. Em “O Agente Secreto”, ele retoma a ditadura como pano de fundo para falar de opressão, resistência e memória, reforçando a tradição de um cinema brasileiro engajado.
Para críticos, essa combinação de relevância histórica e potência estética pode ser determinante para atrair o júri da Academia de Hollywood.
[ Fonte: Infobae ]