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Ciência

O ar que você respira pode estar contaminado por microplásticos – veja os riscos

Um estudo recente da França revela números alarmantes sobre a presença de microplásticos no ar que respiramos diariamente. Cada adulto pode inalar dezenas de milhares de partículas, algumas capazes de chegar à corrente sanguínea. Carros, com seus interiores sintéticos e pouca ventilação, surgem como um dos principais focos de exposição.
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Tempo de leitura: 2 minutos

A poluição por microplásticos não se limita aos oceanos ou alimentos: ela está presente também no ar que respiramos. Invisíveis a olho nu, essas partículas se tornam uma ameaça silenciosa à saúde pulmonar. Pesquisadores franceses desenvolveram métodos de medição mais precisos, identificando concentrações preocupantes em ambientes cotidianos, especialmente dentro de veículos, onde a exposição pode ser até quatro vezes maior que em casa.

Microplásticos: um inimigo invisível e persistente

Até agora, a maioria das medições se concentrava em partículas maiores que 20 micrômetros, ignorando as menores, mais perigosas e capazes de alcançar as regiões profundas dos pulmões. O novo estudo, liderado por Nadiia Yakovenko e publicado em PLOS ONE, utilizou espectroscopia Raman, capaz de detectar partículas de apenas um micrômetro. Essa tecnologia revelou que inalamos microplásticos em quantidades muito superiores às estimadas anteriormente, aumentando o alerta sobre os riscos à saúde.

O carro: foco inesperado de contaminação

A pesquisa mostrou que um apartamento possui, em média, 528 partículas de microplásticos por metro cúbico. Já o interior de um carro registra até 2.238 partículas. A grande concentração de materiais sintéticos — como painéis, tapetes e estofados — combinada com espaços fechados e ventilação insuficiente, torna os veículos ambientes ideais para a inalação rápida de milhares de partículas. Entrar, ligar o carro e dirigir sem renovar o ar cria um cenário perfeito de exposição intensa.

Números preocupantes e impactos à saúde

Ao combinar esses dados com estudos prévios, os pesquisadores estimam que um adulto inala cerca de 68.000 partículas menores que 10 micrômetros por dia. Essas partículas não apenas alcançam os alvéolos, mas podem atravessar a barreira alveolocapilar e chegar à corrente sanguínea. Os efeitos potenciais incluem inflamação, estresse oxidativo, danos aos tecidos e maior risco de doenças crônicas, como DPOC. Além disso, os microplásticos podem carregar metais pesados e contaminantes que interferem em funções hormonais e agravam outros problemas de saúde.

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