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Ciência

O segredo genético das haenyeo: As mulheres do mar que desafiam a ciência e são consideradas quase sobre-humanas

Um grupo de mergulhadoras sul-coreanas passa décadas se lançando ao mar gelado sem uso de oxigênio. Agora, cientistas descobriram que o DNA dessas mulheres pode ser a chave para entender como o corpo humano se adapta a condições extremas. O que parecia apenas uma tradição cultural revela uma singularidade biológica que está intrigando a comunidade científica.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Na ilha sul-coreana de Jeju, um grupo de mulheres idosas mergulha todos os dias no oceano usando apenas os próprios pulmões. Conhecidas como haenyeo, essas mergulhadoras coletam mariscos e algas há gerações. No entanto, sua capacidade de suportar águas geladas e ficar longos períodos sem respirar pode não ser apenas resultado de anos de prática — talvez esteja codificada em seu DNA.

Uma tradição que esconde uma adaptação extraordinária

O segredo genético das haenyeo: As mulheres do mar que desafiam a ciência e são consideradas quase sobre-humanas
© Shutterstock / Xinhua.

As haenyeo são mergulhadoras tradicionais da Coreia do Sul que chegam a descer até 10 metros de profundidade sem uso de cilindros de oxigênio para coletar recursos marinhos. A maioria delas tem mais de 60 anos — algumas, mais de 80 —, mas sua resistência física se equipara à de atletas profissionais.

Durante muito tempo, acreditou-se que essa impressionante capacidade era apenas fruto de treino e técnica refinada. No entanto, estudos recentes revelaram algo mais profundo: a fisiologia dessas mulheres parece apresentar características únicas, possivelmente transmitidas de geração em geração.

O gene que as diferencia de todos os outros

O segredo genético das haenyeo: As mulheres do mar que desafiam a ciência e são consideradas quase sobre-humanas
© Getty Images.

Um estudo conduzido por pesquisadores coreanos analisou amostras genéticas de várias haenyeo e identificou uma variante rara do gene PDE10A. Essa mutação afeta a regulação do fluxo sanguíneo e pode ser responsável por sua surpreendente resistência à hipóxia — a falta de oxigênio no corpo.

Além disso, observou-se que o metabolismo dessas mulheres diminui significativamente durante os mergulhos — um comportamento típico de mamíferos marinhos, como focas e golfinhos. Esse chamado “reflexo de imersão” não apenas as protege contra o frio, como também lhes permite permanecer debaixo d’água por períodos mais longos do que a média humana.

Um legado biológico ameaçado de extinção

Mais do que uma curiosidade científica, essa descoberta valoriza uma prática cultural que está em risco. A atividade das haenyeo vem diminuindo drasticamente, e com ela pode desaparecer também essa possível adaptação genética rara. Caso se confirme que o gene é hereditário, perder essa linhagem significaria mais do que o fim de uma tradição: seria o desaparecimento de uma singularidade biológica humana.

Em um mundo onde ciência e cultura raramente se entrelaçam, as haenyeo nos lembram de que ainda há muitos mistérios sobre o corpo humano a serem desvendados. E que, às vezes, a resposta não está nos laboratórios mais avançados — mas nas profundezas do mar.

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