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Ciência

O “Dubai do ouro branco”: o país latino-americano que disputa a coroa do lítio

Na transição energética global, o lítio é o novo petróleo. Essencial para baterias de veículos elétricos e sistemas de armazenamento, esse mineral coloca a América do Sul no centro do tabuleiro geopolítico. Entre reservas gigantescas, disputas tecnológicas e estratégias estatais, a região se torna palco de oportunidades e desafios que podem redefinir o futuro.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Muito além da biodiversidade e das culturas ancestrais, a América Latina guarda uma das chaves do século XXI: o lítio, conhecido como “ouro branco”. Sua importância cresce em ritmo acelerado, impulsionada pela corrida por baterias e pela eletrificação dos transportes. Mas quem conseguirá transformar reservas em poder econômico? Bolívia e Chile despontam como protagonistas, mas com trajetórias bem distintas.

Bolívia: o gigante das reservas e seus desafios

A Bolívia detém o título simbólico de “Dubai do ouro branco” graças ao Salar de Uyuni, um imenso deserto de sal com mais de 10.500 km² que concentra entre 50% e 70% das reservas globais de lítio. O problema está em transformar esse potencial em realidade econômica.
Apesar de ser dona da maior riqueza geológica, a Bolívia enfrenta limitações estruturais: falta de tecnologia própria, escassez de investimentos privados e infraestrutura insuficiente. Isso faz com que o país ainda esteja distante do protagonismo comercial, enquanto concorrentes como Chile e Austrália ampliam sua produção de forma consistente.

Chile: liderança consolidada e atração de investimentos

Enquanto a Bolívia luta para sair do papel, o Chile ocupa uma posição de destaque como segundo maior produtor de lítio do mundo, atrás apenas da Austrália. Em 2023, produziu 271 mil toneladas de carbonato de lítio equivalente (LCE) e projeta superar 305 mil toneladas em 2025.
O coração dessa produção está no Salar de Atacama, reconhecido pela alta qualidade do mineral. O governo chileno, por meio da Estratégia Nacional do Lítio, aposta em parcerias público-privadas — como a Codelco e a SQM — para expandir a produção e capturar mais valor agregado, com foco não apenas na extração, mas também na industrialização.

Dubai Do Ouro Branco1
© Unsplash – Alexander Schimmeck

Lítio: recurso estratégico do século XXI

A importância do lítio se reflete diretamente na transição energética. Em 2023, 84% do mineral produzido foi destinado a baterias, número que deve chegar a 89% até 2025, impulsionado pela eletrificação da frota mundial e pela necessidade de armazenamento em larga escala para energias renováveis.
No entanto, o mercado vive uma contradição: a forte demanda convive com excesso de oferta, que derrubou os preços em 78% em 2023, situando o carbonato de lítio em torno de US$ 12 mil por tonelada. Essa volatilidade ameaça a rentabilidade no curto prazo e pressiona os países produtores a diversificarem estratégias.

O ranking global e o papel da América do Sul

De acordo com o Mineral Commodity Summaries 2025, da agência geológica dos EUA, a liderança mundial segue com a Austrália, seguida por Chile, China, Zimbábue e Argentina. Ainda assim, a América do Sul mantém-se como epicentro do setor, combinando reservas colossais e políticas em disputa.
O futuro do lítio, portanto, não será definido apenas pelo volume das jazidas, mas pela capacidade de transformar esse recurso estratégico em desenvolvimento sustentável e influência global.

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