A DeepSeek, apoiada pelo fundo High-Flyer, virou de cabeça para baixo o setor de IA em 2025 com resultados surpreendentes. Desde então, uma dúvida não para de crescer: como foi treinado o modelo e, principalmente, de que chips dependerá sua próxima versão? Rumores recentes indicam que a aposta será em soluções 100% fabricadas na China.
A encruzilhada do hardware
Quando o DeepSeek R1 foi apresentado, a High-Flyer declarou ter usado 2.048 GPUs H800 da NVIDIA. Especialistas, porém, contestaram: o nível de treinamento exigiria até 50 mil H100, chips proibidos de entrar na China devido às sanções dos Estados Unidos.
As hipóteses surgiram: intermediários no mercado paralelo ou já um plano de substituição em andamento? Agora, o South China Morning Post sugere que a próxima geração de DeepSeek pode abandonar completamente a NVIDIA, fortalecendo a indústria local de semicondutores.
Os possíveis fornecedores chineses
Cinco empresas aparecem como candidatas para fornecer a infraestrutura crítica: Huawei Technologies, Cambricon Technologies, Moore Threads, Hygon Information Technology e MetaX Integrated Circuits.
Entre elas, três se destacam:
- Cambricon: pouco conhecida fora da Ásia, já levantou US$ 560 milhões para desenvolver chips de treinamento e inferência, além de criar uma alternativa ao CUDA.
- Moore Threads: aposta em placas como as MTT S4000 e S3000, que, no papel, competem diretamente com soluções da NVIDIA e AMD.
- Huawei: acelera com suas GPUs Ascend 910D e 920, projetadas para ocupar o espaço deixado pela H20 da NVIDIA no mercado chinês.

O que está em jogo
A questão vai além de desempenho técnico. A trajetória da DeepSeek simboliza a corrida da China pela soberania tecnológica em um setor dominado pelo Ocidente. Se conseguir treinar sua próxima geração de modelos sem a NVIDIA, o impacto será tanto econômico quanto político.
Por enquanto, o mistério continua: a DeepSeek ainda não revelou qual será seu novo aliado. Mas uma coisa já é certa: a disputa pelos chips de IA se tornou também uma batalha pela independência estratégica, e a China parece disposta a jogar pesado.