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O épico espacial com Brad Pitt que tropeçou nos cinemas e merece ser redescoberto

Brad Pitt protagoniza uma ambiciosa ficção científica que dividiu o público, conquistou a crítica e transformou uma viagem pelo espaço em algo muito mais íntimo.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Nem toda ficção científica precisa de alienígenas, batalhas gigantescas ou planetas explodindo. Às vezes, o espaço funciona melhor quando é silencioso, vazio e desconfortável. Foi exatamente por esse caminho que um ambicioso filme estrelado por Brad Pitt decidiu seguir. O resultado não conquistou as bilheterias como esperado, mas ganhou respeito da crítica e, anos depois, parece ainda mais interessante do que quando chegou aos cinemas.

Uma missão que começa muito mais perto de casa

O filme em questão é Ad Astra: Rumo às Estrelas, lançado em 2019 e dirigido por James Gray. Pitt interpreta Roy McBride, astronauta conhecido por uma característica particularmente útil em sua profissão: mesmo diante de situações extremas, ele consegue manter as emoções e os batimentos cardíacos sob controle.

Essa aparente tranquilidade, porém, esconde uma relação complicada com o passado.

Roy é filho do lendário astronauta Clifford McBride, vivido por Tommy Lee Jones, que desapareceu décadas antes durante uma missão aos limites do Sistema Solar. Quando misteriosas descargas de energia começam a ameaçar a Terra, surge a possibilidade de que Clifford e sua antiga expedição estejam relacionados ao fenômeno.

Roy recebe então uma missão que o leva cada vez mais longe de casa. Só que a busca pelo pai rapidamente deixa de ser apenas uma operação espacial. Quanto maior a distância da Terra, mais difícil se torna escapar das questões que ele passou a vida inteira tentando manter sob controle.

O elenco ainda inclui Ruth Negga, Liv Tyler e Donald Sutherland. A produção estreou em competição no Festival de Veneza de 2019, onde foi apresentada como uma das grandes apostas daquele ano.

O espaço aqui não é um parque de diversões

Quem entrar em Ad Astra esperando algo parecido com Star Wars provavelmente encontrará outro tipo de experiência. James Gray usa elementos familiares da ficção científica, mas está muito mais interessado em isolamento, obsessão, masculinidade e relações familiares.

Isso não significa ausência de espetáculo. Há viagens à Lua e a Marte, sequências de perigo e alguns momentos inesperadamente violentos. A fotografia de Hoyte van Hoytema transforma cada ambiente em parte da narrativa, alternando paisagens grandiosas com espaços claustrofóbicos.

O contraste é importante: a humanidade avançou profundamente pelo Sistema Solar, mas continua carregando consigo problemas bastante terrestres.

A abordagem também ajuda a explicar por que a recepção foi tão dividida. No Rotten Tomatoes, o longa mantém 83% de aprovação entre críticos, enquanto a avaliação do público é consideravelmente mais baixa, de 40%.

É uma diferença que combina perfeitamente com a natureza do filme. Ad Astra tem escala de blockbuster, mas ritmo e preocupações de um drama psicológico.

Um fracasso comercial que conta apenas parte da história

O épico espacial com Brad Pitt que tropeçou nos cinemas e merece ser redescoberto
© YouTube

O problema é que produzir uma ficção científica dessa dimensão custa caro.

Estimativas colocam o orçamento do longa entre aproximadamente US$ 80 milhões e US$ 90 milhões. A arrecadação mundial ficou na faixa de US$ 127 milhões a US$ 135 milhões, dependendo da base utilizada. Considerando que a receita das bilheterias é dividida com exibidores e que os custos de marketing não fazem parte do orçamento de produção divulgado, o desempenho ficou aquém do necessário para transformar o projeto em um grande sucesso comercial.

Isso, porém, não significa que o filme tenha passado despercebido artisticamente.

A produção chegou ao Oscar de 2020 indicada na categoria de melhor mixagem de som, reconhecimento que ajuda a destacar um aspecto essencial da experiência criada por Gray. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas confirma a indicação de Gary Rydstrom, Tom Johnson e Mark Ulano.

Brad Pitt também estava em um momento especialmente forte da carreira. No mesmo período, ele conquistaria o Oscar de ator coadjuvante por Era Uma Vez em… Hollywood. Em Ad Astra, porém, seu trabalho é quase o oposto: contido, introspectivo e construído principalmente sobre aquilo que Roy tenta não demonstrar.

Por que vale a pena dar uma nova chance

Mais de sete anos depois do lançamento, Ad Astra funciona particularmente bem como alternativa para quem está cansado de ficções científicas estruturadas apenas em torno de ameaças gigantescas.

O filme pergunta o que aconteceria se a humanidade realmente pudesse atravessar o Sistema Solar, mas descobrisse que chegar mais longe não resolve necessariamente aquilo que carregamos por dentro.

Há também algo curioso em rever hoje a visão de futuro construída por James Gray. A Lua está comercializada, viagens espaciais fazem parte de uma infraestrutura econômica e Marte tornou-se uma espécie de posto avançado da civilização. Ainda assim, quanto mais tecnologia aparece, mais solitário parece Roy.

Essa combinação talvez explique por que Ad Astra não foi uma unanimidade em 2019 e por que continua despertando interesse. Não é exatamente o espetáculo espacial que sua campanha publicitária poderia sugerir. É um drama sobre pai e filho disfarçado de missão interplanetária.

Para alguns espectadores, seu ritmo contemplativo será justamente o obstáculo. Para outros, será o motivo pelo qual essa viagem com Brad Pitt merece ser redescoberta.

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