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Ciência

‘O físico que quer reescrever o universo: e se a matéria escura for apenas uma ilusão cósmica?

Um pesquisador canadense propõe que os 95% “invisíveis” do cosmos — a misteriosa matéria e energia escuras — talvez nunca tenham existido. Sua teoria ousada sugere que as próprias leis da natureza mudam com o tempo, criando uma ilusão cósmica que enganou gerações de astrônomos e pode duplicar a idade do universo.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Durante quase um século, acreditamos que o universo é dominado por forças invisíveis que desafiam a física conhecida. Mas um novo estudo desafia essa ideia de forma radical. O físico Rajendra Gupta, da Universidade de Ottawa, afirma que talvez tudo o que chamamos de “matéria escura” e “energia escura” seja apenas um truque do cosmos — resultado de constantes físicas que mudam lentamente à medida que o universo envelhece.

O universo que enfraquece com o tempo

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© Pexels

A hipótese de Gupta, publicada na revista Galaxies, propõe que as forças fundamentais da natureza — como a gravidade e a velocidade da luz — não são fixas, mas se modificam de forma quase imperceptível ao longo de bilhões de anos. Esse enfraquecimento, diz ele, cria a ilusão de que existe uma energia misteriosa acelerando a expansão do universo e uma gravidade adicional mantendo as galáxias coesas.

Em outras palavras, o que hoje chamamos de energia e matéria escuras seriam apenas efeitos secundários do envelhecimento do cosmos. “As forças do universo perdem intensidade à medida que ele se expande”, explica Gupta. “Essas variações produzem fenômenos que confundimos com componentes invisíveis.”

Constantes mutantes e a força “alfa”

Para sustentar sua teoria, Gupta introduziu um novo parâmetro chamado alfa (α), que mede o quanto essas constantes físicas variam em diferentes regiões do espaço. Em áreas densas — como o centro das galáxias — o valor de alfa é quase nulo, e a física tradicional funciona normalmente. Já nas bordas galácticas, onde há menos matéria, alfa aumenta e cria uma força gravitacional extra, explicando por que as estrelas giram mais rápido do que as leis de Newton preveem.

Essa ideia resolve um dos grandes mistérios da astrofísica: as chamadas “curvas de rotação planas”, observadas desde os anos 1930, que levaram à hipótese da matéria escura.

Um modelo que une o micro e o macro

Enquanto o modelo cosmológico padrão (ΛCDM) usa equações diferentes para escalas galácticas e cósmicas, a proposta de Gupta emprega uma única fórmula para descrever ambas. Ele testou a teoria com dados reais de sete galáxias da base SPARC, uma das mais confiáveis do mundo, e obteve resultados consistentes.

Segundo o físico, isso indica que alfa não é apenas um truque matemático, mas uma propriedade física real que emerge naturalmente do envelhecimento do universo. Além disso, o modelo prevê que, no universo primordial, onde havia mais matéria visível, esses efeitos eram menores — algo que coincide com observações recentes feitas pelo telescópio James Webb.

Um universo duas vezes mais velho

Uma das consequências mais impressionantes da teoria é a reavaliação da idade do universo: em vez de 13,8 bilhões de anos, ele teria 26,7 bilhões. Essa nova escala de tempo ajudaria a explicar por que o telescópio Webb encontra galáxias surpreendentemente maduras em períodos muito antigos do cosmos.

“Talvez não estejamos vendo o impossível”, diz Gupta. “Talvez o universo simplesmente seja mais velho do que imaginamos.”

Se correta, a proposta desafia décadas de esforços e bilhões de dólares investidos na busca por partículas invisíveis que poderiam nem existir.

Ceticismo e controvérsias

Nem todos estão convencidos. O astrofísico Brian Keating, da Universidade da Califórnia, alerta: “Afirmações extraordinárias exigem provas extraordinárias.” Outros cientistas apontam limitações: Gupta analisou poucas galáxias, simplificou suas formas e dependeu de estimativas incertas de massa e luminosidade.

Além disso, medições precisas de quasares distantes indicam que as constantes fundamentais parecem estáveis ao longo do tempo, o que enfraquece a hipótese de variação. Ainda assim, Gupta pretende aplicar seu modelo a fenômenos mais complexos, como lentes gravitacionais e aglomerados de galáxias.

Entre a ousadia e a revolução

A ideia de que a matéria escura pode não existir não é nova — teorias como MOND (Dinâmica Newtoniana Modificada) já tentaram o mesmo caminho. Mas a proposta de Gupta, que unifica escalas cósmicas sob um único princípio, reacende o debate.

Se confirmada, seria uma revolução comparável à de Einstein. Se refutada, ainda assim servirá para testar os limites da cosmologia moderna.

“A explicação mais simples pode ser a mais elegante”, conclui Gupta. “Talvez o universo só esteja nos pregando uma peça.”

 

[ Fonte: DW ]

 

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