Pular para o conteúdo
Tecnologia

O gelo que gera economia: conheça a bateria que substitui o ar-condicionado

Nos EUA, hospitais e empresas estão economizando milhares de dólares com um novo tipo de “bateria” que armazena frio. As chamadas baterias de gelo congelam água à noite e usam o derretimento para resfriar prédios durante o dia — reduzindo o consumo elétrico e as emissões de carbono.
Por

Tempo de leitura: 2 minutos

Imagine trocar o ar-condicionado por tanques de gelo — e ainda economizar na conta de luz. Essa é a ideia por trás das baterias de gelo, uma inovação que está transformando a forma como grandes edifícios lidam com o calor e o gasto energético.

Como o frio vira energia

No hospital Norton Audubon, em Louisville (EUA), 280 mil litros de água são congelados todas as noites. O gelo é usado no dia seguinte para resfriar salas de cirurgia e quartos, sem depender totalmente do ar-condicionado. O resultado? Um ambiente confortável, contas menores e uma pegada ambiental bem mais leve.

O sistema, conhecido como armazenamento térmico de energia, funciona de forma simples e genial: à noite, quando a eletricidade é mais barata, tanques congelam grandes volumes de água. Durante o dia, esse gelo derrete lentamente e resfria a água que circula por dutos internos, distribuindo ar frio pelos ambientes.

Segundo a Trane Technologies, uma das líderes na fabricação desses sistemas, o uso combinado com ar-condicionado tradicional pode reduzir em até 30% o consumo elétrico.

Uma alternativa limpa para um planeta cada vez mais quente

Com o avanço do aquecimento global, o uso de ar-condicionado cresce em ritmo recorde — e com ele, o consumo de energia. As baterias de gelo surgem como uma resposta sustentável: elas aliviam a pressão sobre as redes elétricas nos horários de pico e ajudam a cortar emissões.

Ted Tiffany, da Building Decarbonization Coalition, afirma que “armazenar energia para uso futuro é o caminho para redes mais limpas e eficientes”. Ele lembra que, com o aumento das ondas de calor, refrigeração virou questão de saúde pública — e não apenas de conforto.

O hospital Norton Audubon viu o impacto direto: economizou US$ 278 mil só no primeiro ano, e já acumula quase US$ 4 milhões em economia desde 2016 com medidas de eficiência energética.

Gelo, data centers e o futuro da refrigeração

Empresas como a Nostromo Energy estão levando o conceito para outro nível. A startup aposta em data centers, onde até 40% da energia é usada para refrigeração — uma demanda que só deve aumentar com a expansão da inteligência artificial.

“O verão é o momento mais caro para operar a rede elétrica”, explica Joe Raasch, da Ice Energy, que fabrica versões menores das baterias de gelo para residências. “Esses sistemas aliviam a carga da rede e mantêm o conforto térmico, sem precisar recorrer a energia poluente.”

Na Califórnia, onde a eletricidade vem majoritariamente de energia solar, o desafio é manter os prédios frescos após o pôr do sol — quando a produção solar cai. As baterias de gelo entram justamente aí, mantendo o resfriamento noturno sem puxar energia adicional da rede.

O frio do futuro já começou

Com o aumento global da demanda por refrigeração, as baterias de gelo prometem virar tendência em hospitais, escritórios e centros de dados. São sustentáveis, reduzem custos e ainda ajudam a evitar apagões em períodos críticos.

No fim das contas, a ideia é simples: usar o frio para esquentar a economia — e esfriar o planeta.

[Fonte: Fast Company Brasil]

Partilhe este artigo

Artigos relacionados