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Tecnologia

O gigante que não levantou voo: o drone agrícola que prometia revolucionar o agro e terminou em demissão em massa

Após captar milhões e prometer o maior drone agrícola do mundo, uma startup brasileira enfrenta um duro revés. O projeto foi interrompido antes de sair do chão, resultando em demissões, mudanças de rumo e uma lição sobre os desafios de inovar no agronegócio com tecnologia de alto risco.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Uma inovação ambiciosa, um investimento milionário e grandes promessas de transformação para o agronegócio. Assim começou a trajetória da Psyche Aerospace com o Harpia P-71, o maior drone agrícola do mundo. Mas a expectativa deu lugar à frustração. O projeto não decolou, e a empresa foi obrigada a mudar radicalmente de estratégia, optando por um novo foco: inteligência artificial.

Do céu ao chão: o colapso do Harpia P-71

O gigante que não levantou voo: o drone agrícola que prometia revolucionar o agro e terminou em demissão em massa
© Pexels

Anunciado como o maior drone agrícola já desenvolvido, o Harpia P-71 chamou atenção com sua proposta ousada: um equipamento movido a etanol e eletricidade, com capacidade para carregar 400 kg de defensivos agrícolas. Idealizado pelo jovem Gabriel Leal, de apenas 24 anos, o projeto previa atender 500 mil hectares em todo o país e chegou a ser exibido em eventos como a Agrishow, onde despertou forte interesse de grandes players do setor.

Mesmo com cartas de intenção assinadas por empresas do agro, o projeto enfrentou obstáculos sérios. As parcerias dependiam de testes práticos que nunca foram realizados, e a tentativa de levantar mais R$ 50 milhões em investimentos no início de 2024 fracassou. Com um custo mensal elevado e sem capital novo, a Psyche tomou a decisão de encerrar a divisão de drones em 16 de maio de 2025. Cerca de 130 funcionários foram demitidos, e a sede da empresa foi transferida para Campinas, com uma equipe reduzida.

Nova aposta: inteligência artificial no campo

Após o colapso do projeto Harpia, a startup busca se reinventar. A nova aposta é a plataforma Turing, um sistema de inteligência artificial lançado em janeiro que utiliza imagens de satélite para avaliar a saúde de lavouras, identificar doenças e analisar a produtividade. Apresentada como um “ChatGPT do Agro”, a ferramenta está em fase de aprimoramento e deve ganhar uma nova versão em breve, com acesso gratuito inicial e assinatura mensal estimada em US$ 19 no futuro.

A Psyche agora busca consolidar essa nova frente como fonte de receita e sobrevivência no curto prazo. Apesar da guinada tecnológica, o sonho do Harpia ainda não foi completamente abandonado. Segundo Gabriel Leal, a empresa segue em busca de investidores dispostos a aportar entre US$ 30 milhões e US$ 50 milhões para retomar o projeto futuramente.

A história da Psyche Aerospace serve como alerta para startups que desejam inovar no agronegócio: visão e ambição são essenciais, mas precisam caminhar junto com testes reais, sustentabilidade financeira e capacidade de entrega. Por enquanto, o drone que prometia voar mais alto que qualquer outro do setor permanece no chão — como símbolo de um sonho adiado, mas ainda não esquecido.

[Fonte: Compre rural]

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