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Ciência

O hábito que milhões de pessoas repetem ao acordar pode estar aumentando o estresse

Um gesto aparentemente inofensivo logo ao abrir os olhos pode alterar a forma como o cérebro desperta. Psicólogos explicam por que adiar esse hábito pode fazer diferença no restante do dia.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Para muita gente, o primeiro movimento da manhã é automático: pegar o celular antes mesmo de sair da cama. A rotina parece inofensiva, mas especialistas alertam que esse comportamento pode interferir no funcionamento natural do cérebro logo após o despertar. Segundo pesquisas e orientações de instituições de saúde, alguns minutos de espera antes de olhar a tela podem reduzir o estresse e favorecer um início de dia mais equilibrado.

O cérebro precisa de uma transição gradual antes de enfrentar os estímulos do dia

Abrir os olhos e imediatamente conferir mensagens, e-mails ou redes sociais tornou-se um hábito comum. No entanto, segundo o psicólogo Alfredo Rodríguez-Muñoz, professor da Universidade Complutense de Madri, essa prática pode colocar o cérebro em estado de alerta antes mesmo de ele concluir seu processo natural de despertar.

O especialista explica que os primeiros minutos após acordar são fundamentais para a regulação da atenção, do estado emocional e da atividade cognitiva. Quando a primeira informação do dia chega por meio da tela do celular, essa transição acontece de forma brusca.

Em vez de passar gradualmente do repouso para a atividade, o cérebro recebe uma avalanche de estímulos que pode incluir notícias negativas, mensagens urgentes, notificações de trabalho e interações nas redes sociais. Esse excesso de informações faz com que a mente entre rapidamente em um modo de resposta e urgência.

Pesquisas na área de neurociência indicam que esse período de adaptação também está relacionado ao controle dos níveis de cortisol, hormônio diretamente ligado ao estresse. Uma transição mais lenta favorece o equilíbrio desse processo e contribui para uma melhor capacidade de concentração ao longo do dia.

Por isso, instituições como a Clínica Mayo recomendam evitar o contato imediato com dispositivos eletrônicos logo após despertar, justamente para preservar esse momento de adaptação natural do organismo.

Por que olhar o celular logo cedo virou um comportamento automático

O hábito que milhões de pessoas repetem ao acordar pode estar aumentando o estresse
© Pexels

Segundo Rodríguez-Muñoz, o celular deixou de ser apenas um aparelho de comunicação. Hoje, ele funciona como uma extensão da vida social, profissional e emocional de muitas pessoas.

Essa relação faz com que o impulso de verificar a tela ao acordar aconteça quase sem reflexão.

Além disso, existe um mecanismo biológico envolvido. Cada nova notificação, mensagem ou atualização pode gerar pequenas recompensas para o cérebro, estimulando a liberação de substâncias associadas à sensação de novidade e expectativa.

Com o passar do tempo, o cérebro aprende a associar o despertar ao início desse fluxo constante de informações.

Outro fator que reforça esse comportamento é o fato de que muitas pessoas utilizam o próprio celular como despertador. Como o aparelho já está ao alcance das mãos quando o alarme toca, basta um toque para que a rotina de notificações comece imediatamente.

O problema, segundo os especialistas, não está em olhar o celular ocasionalmente pela manhã, mas em transformar esse comportamento em um hábito diário.

Pequenas mudanças na rotina podem ajudar a reduzir o estresse desde cedo

Os efeitos desse comportamento vão além dos primeiros minutos do dia. Segundo o psicólogo, iniciar a manhã em estado constante de alerta pode aumentar a sensação de urgência, favorecer o cansaço mental e dificultar a concentração nas atividades diárias.

Muitas pessoas relatam sentir exaustão antes mesmo de começarem efetivamente a trabalhar, justamente porque a mente passa a responder continuamente a e-mails, mensagens e notificações desde os primeiros instantes após acordar.

Esse padrão também costuma se repetir à noite. Quem inicia o dia conectado tende a permanecer com o celular nas mãos até pouco antes de dormir, reduzindo os momentos de descanso mental necessários para a recuperação do cérebro.

Para quebrar esse ciclo, Rodríguez-Muñoz sugere uma estratégia simples: adiar o primeiro contato com o celular entre 15 e 20 minutos após acordar.

Nesse intervalo, atividades como abrir a janela para receber luz natural, caminhar um pouco pela casa, alongar o corpo ou tomar café da manhã com tranquilidade podem ajudar o cérebro a completar sua transição de maneira mais saudável.

A Associação Americana de Psicologia também destaca a importância de rotinas matinais que incluam luz natural, movimentos leves e momentos de calma. Essas práticas favorecem a regulação do humor, fortalecem a memória e ajudam a reduzir a sensação de sobrecarga antes mesmo do início das tarefas do dia.

Embora a mudança pareça pequena, permitir que o cérebro desperte antes de mergulhar no fluxo constante de notificações pode ser uma forma simples de começar o dia com mais equilíbrio e menos estresse.

[Fonte: Infobae]

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