O estresse por trás do recesso escolar
Uma pesquisa da IWG mostra que 62% dos pais consideram estressante equilibrar trabalho e cuidado com os filhos durante as férias escolares. Mais da metade acaba usando as próprias férias para dar conta da rotina familiar — o que reduz o descanso real e aumenta o desgaste.
A gerente da Caixa Econômica Federal, Juliana Saraiva, mãe de gêmeos de 8 anos, resume o dilema: cargos de liderança têm demandas intensas e horários imprevisíveis. Para o ano letivo, a solução é o período integral. No recesso, entra em cena o revezamento de férias entre os pais, garantindo presença constante de um adulto em casa.
Apoio familiar ainda é a principal saída

Quando existe, a rede de apoio faz toda a diferença. Avós, tios e familiares próximos ajudam a manter uma rotina afetiva e segura para as crianças. O problema é que essa alternativa não está disponível para todos, o que aprofunda desigualdades e pressiona ainda mais quem não tem com quem contar.
O que as empresas podem fazer agora
A psicóloga e CEO da Carpediem RH, Aliesh Costa, aponta caminhos práticos para aliviar a tensão sem derrubar resultados. Flexibilizar horários, combinar dias de trabalho remoto e reduzir o tempo de deslocamento ajudam a organizar o cotidiano. Algumas empresas vão além e firmam convênios com colônias de férias, especialmente em dezembro e julho.
O ponto-chave, segundo ela, é entender que a flexibilização é temporária — e pode potencializar a produtividade. Dados mostram que colaboradores que se sentem apoiados tendem a entregar mais, não menos. Pertencimento importa.
Como pedir flexibilização sem ruído
Na conversa com a liderança, vale ser objetivo: explique o período, proponha soluções e mostre como o trabalho seguirá fluindo. Deixar claro que o ajuste tem começo, meio e fim ajuda a reduzir resistências e aumenta as chances de acordo.
Projeto de lei pode mudar o jogo
No Congresso, o tema avançou. A Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados aprovou o PL 362/25, da deputada Chris Tonietto (PL-RJ). A proposta dá prioridade de férias a trabalhadores com filhos de 4 a 17 anos quando o período coincide com o recesso escolar.
O texto ainda passará pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Se aprovado, altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Um desafio coletivo
As férias escolares escancaram um conflito estrutural entre trabalho e cuidado. Empresas, governo e famílias precisam dividir a responsabilidade. Flexibilizar não é privilégio — é estratégia. E pode ser o passo que falta para atravessar o recesso com menos estresse e mais equilíbrio.
[Fonte: Correio Braziliense]