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Ciência

O laser mais poderoso do planeta foi disparado pelos EUA e revela um novo horizonte para a ciência

Um pulso de luz quase imperceptível acaba de redefinir os limites da ciência nos Estados Unidos. Com potência inimaginável, o laser ZEUS promete revolucionar desde tratamentos médicos até a física quântica. Descubra como essa façanha foi possível — e o que ela pode desencadear.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Em um único instante, mais energia do que toda a eletricidade consumida no mundo foi concentrada em um feixe de luz. Assim nasce um novo marco na história da ciência. O sistema de laser ZEUS, desenvolvido pela Universidade de Michigan, atingiu um feito inédito ao alcançar dois petawatts de potência, abrindo caminho para avanços com potencial de transformar áreas como medicina, física e segurança.

Um disparo que ultrapassa limites

O laser mais poderoso do planeta foi disparado pelos EUA  e revela um novo horizonte para a ciência
© Pexels

O sistema ZEUS (Zettawatt-Equivalent Ultrashort pulse laser System) entrou para a história ao emitir um pulso de luz de apenas alguns quintilhões de segundo, atingindo dois petawatts de potência — o equivalente a dois quatrilhões de watts. Durante esse ínfimo período de tempo, sua energia foi cem vezes superior a todo o consumo elétrico do planeta.

Instalado em uma estrutura com paredes de concreto de 60 centímetros de espessura, o ZEUS é o sucessor direto do laser HERCULES, que já havia impressionado com seus 300 terawatts. Com o novo marco, a Universidade de Michigan se posiciona como referência global em física de alto campo.

O objetivo central do projeto é permitir experimentos até então considerados impossíveis. O professor Karl Krushelnick, diretor do centro responsável pelo ZEUS, destaca que o sistema não é apenas mais potente, mas abre possibilidades inexploradas para estudar fenômenos extremos da física e testar teorias fundamentais.

Do plasma ao futuro da medicina

A estrutura do ZEUS conta com uma célula de gás preenchida com hélio. Quando o pulso do laser incide sobre esse gás, ocorre a formação de plasma — um estado da matéria com elétrons livres. Esses elétrons são acelerados por meio de um processo chamado “aceleração de campo de esteira”, que permite que eles alcancem velocidades nunca vistas.

A grande inovação está na forma como o feixe atravessa esse meio: a célula é longa, porém estreita, o que permite que os elétrons permaneçam no campo de ação do laser por mais tempo, atingindo picos de energia impressionantes. A próxima etapa do projeto envolve uma colisão frontal entre elétrons e um pulso de laser de 3 petawatts, simulando interações em escala de zettawatts — justificando o nome ZEUS.

Além da física teórica, as aplicações práticas não ficam atrás. A equipe do professor Franklin Dollar, da Universidade da Califórnia, liderará o primeiro experimento oficial com o ZEUS. O foco será gerar feixes de partículas comparáveis aos produzidos por grandes aceleradores, como o CERN, porém em escala compacta e com eficiência superior.

Essa tecnologia poderá ser usada para criar imagens com baixíssima dosagem de radiação, ideais para o diagnóstico de tecidos moles. Pesquisas anteriores com o antecessor HERCULES já haviam demonstrado esse potencial ao registrar imagens detalhadas de uma libélula com pulsos semelhantes a raios X.

Um investimento que aponta para o amanhã

O sistema ZEUS foi financiado com US$ 16 milhões pela National Science Foundation (NSF) e está disponível para pesquisadores de todo o país. Segundo Vyacheslav Lukin, da NSF, o projeto é mais do que uma conquista científica: é um passo em direção a avanços concretos na medicina, na ciência dos materiais e até em tratamentos contra o câncer.

Mais do que uma máquina poderosa, o ZEUS representa uma nova era de possibilidades. Com ele, os cientistas ganham uma ferramenta capaz de explorar dimensões até hoje inacessíveis, traduzindo teoria em prática com impactos reais na vida das pessoas.

[Fonte: Click Petroleo e Gas]

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