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Ciência

O mapa da Terra pode desaparecer como conhecemos e a NASA já estuda os cenários mais extremos

Modelos científicos projetam um futuro em que os continentes voltarão a se unir. O resultado pode transformar oceanos, alterar o clima global e criar desafios inéditos para a vida no planeta.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Quando observamos um mapa-múndi, é fácil imaginar que continentes e oceanos ocupam posições permanentes. A realidade, porém, é muito diferente. Sob nossos pés, placas tectônicas continuam se movendo lentamente, remodelando a superfície terrestre ao longo de milhões de anos. Agora, uma nova pesquisa baseada em simulações avançadas sugere que esse processo poderá levar a mudanças tão profundas que o planeta se tornará praticamente irreconhecível para qualquer ser humano atual.

Quatro caminhos para um planeta completamente diferente

O mapa da Terra pode desaparecer como conhecemos e a NASA já estuda os cenários mais extremos
© Unsplash

Um estudo publicado na revista Geological Magazine analisou como a contínua movimentação das placas tectônicas poderá levar à formação de um novo supercontinente. A pesquisa utilizou modelos climáticos tridimensionais desenvolvidos pelo cientista Michael Way, do Instituto Goddard da NASA, em colaboração com João Duarte, da Universidade de Lisboa.

Os pesquisadores identificaram quatro cenários possíveis para o futuro geológico da Terra. Cada um depende da evolução dos oceanos atuais, da abertura de novas bacias oceânicas e do comportamento das zonas de subducção, regiões onde uma placa tectônica mergulha sob outra.

O primeiro cenário recebeu o nome de Novopangea. Nesse modelo, o Oceano Pacífico continua encolhendo gradualmente enquanto o Atlântico segue se expandindo. Ao longo de milhões de anos, as placas oceânicas do Pacífico seriam consumidas pelas zonas de subducção, aproximando continentes hoje distantes e formando uma gigantesca massa continental.

O segundo cenário é chamado de Pangeia Próxima. Nesse caso, o Atlântico inverteria sua trajetória atual e começaria a se fechar. As Américas se moveriam novamente em direção à Europa e à África, criando um supercontinente com uma configuração quase circular e um oceano interno relativamente pequeno.

Já o terceiro modelo, conhecido como Aurica, prevê o fechamento simultâneo dos oceanos Atlântico e Pacífico. Como consequência, os continentes acabariam concentrados próximos à linha do Equador, formando uma nova configuração global bastante diferente da atual.

O cenário que mais preocupa os cientistas

O mapa da Terra pode desaparecer como conhecemos e a NASA já estuda os cenários mais extremos
© Unsplash

Entre as hipóteses estudadas, Aurica chama atenção pelos impactos climáticos previstos. As simulações indicam uma temperatura média global de aproximadamente 20,6 graus Celsius, significativamente superior aos atuais 13,5 graus.

A principal razão para esse aquecimento seria a ausência de grandes massas continentais nas regiões polares. Com menos gelo permanente, o planeta perderia parte de sua capacidade natural de refletir a radiação solar de volta ao espaço, favorecendo um aquecimento ainda maior.

Segundo os pesquisadores, esse supercontinente seria mais quente e seco do que a Terra atual. Regiões desérticas poderiam se expandir consideravelmente, enquanto áreas adequadas para diversas espécies diminuiriam de forma significativa.

O quarto cenário, chamado Amasia, apresenta uma dinâmica completamente diferente. Nele, os continentes migrariam em direção ao Polo Norte, enquanto o Oceano Ártico se fecharia gradualmente. Apesar de registrar uma temperatura média menor do que Aurica, estimada em cerca de 16,9 graus, esse modelo também traz desafios importantes.

Nesse caso, a reorganização dos continentes poderia alterar profundamente a circulação oceânica global. Correntes marítimas responsáveis pelo transporte de calor seriam interrompidas ou modificadas, favorecendo a formação de extensas áreas cobertas por gelo e desencadeando mudanças drásticas nos ecossistemas.

Extinções, regiões inabitáveis e um planeta transformado

As consequências dessas transformações não se limitariam à geografia. Os cientistas alertam que a reunião dos continentes poderia desencadear uma intensa competição entre espécies, aumentando o risco de extinções em larga escala.

Com menos áreas costeiras e um interior continental muito maior, os padrões climáticos se tornariam mais extremos. Regiões afastadas dos oceanos sofreriam oscilações mais intensas de temperatura e receberiam menos umidade, tornando diversos ambientes hostis para muitas formas de vida.

Nos cenários mais quentes, grandes áreas poderiam se tornar praticamente inabitáveis para mamíferos devido ao calor excessivo e à escassez de água. Já nos modelos mais frios, a expansão das geleiras reduziria significativamente as zonas temperadas disponíveis.

Os pesquisadores destacam que eventos semelhantes já deixaram marcas visíveis na Terra. Diversas cadeias montanhosas existentes atualmente surgiram de antigas colisões continentais ocorridas durante a formação e fragmentação de supercontinentes passados.

Embora essas mudanças estejam previstas para ocorrer ao longo de dezenas ou centenas de milhões de anos, o estudo oferece uma visão impressionante sobre o destino de longo prazo do planeta. Para os autores, compreender esses processos ajuda a lembrar que a Terra é um sistema dinâmico e em constante transformação. A sobrevivência das futuras formas de vida dependerá não apenas da evolução tecnológica, mas também da capacidade de coexistir em equilíbrio com um ambiente que nunca deixa de mudar.

[Fonte: El universo]

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